Agente cubano preso nos EUA é liberado para visitar irmão na ilha

Dissidência cubana identifica manifestante opositor preso durante a visita do papa a Santiago de Cuba como Andrés Carreón Alvarez

iG São Paulo |

René González, um dos "cinco heróis cubanos", como são conhecidos no país de origem, retornou hoje pela primeira vez a Cuba, em uma estadia prevista para durar duas semanas, depois de cumprir 13 anos de prisão nos Estados Unidos. O retorno aconteceu no mesmo dia em que a dissidência cubana identificou o manifestante que foi detido durante a visita do papa a Cuba nesta semana.

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Detido em 1998 juntamente com Ramón Labañino, Gerardo Hernández, Antonio Guerrero e Fernando González, por acusação de espionagem e envolvimento no abatimento de dois aviões, ele já cumpriu 13 anos de prisão e agora está em liberdade assistida.

AP
Homem que protestou contra governo cubano foi preso pouco antes de Bento 16 chegar à Praça da Revolução para missa em Santiago de Cuba (27/3)
A informação do Noticiero Nacional de Televisión recordou que, em 19 de março, a juíza Joan Lenard, da Corte para o Distrito Sul da Flórida, aprovou a moção apresentada pelo advogado de González, que pedia que ele viajasse a Cuba para ver seu irmão Roberto González, cujo estado de saúde é grave.

Autoridades cubanas já admitiram que os "cinco heróis" trabalhavam como agentes, mas afirmaram que sua missão era impedir atos terroristas contra o então presidente Fidel Castro e que, portanto, não ameaçavam a segurança dos Estados Unidos.

Preso na visita do papa

Ainda nesta sexta-feira, dissidentes cubanos identificaram o assistente social Andrés Carreón Alvarez como sendo o homem preso na segunda-feira, dia 26 de março, após ter gritado frases contra o comunismo antes da missa do papa Bento 16 em Santiago de Cuba.

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"Hoje conseguimos nos comunicar com o ex-prisioneiro político José Daniel Ferrer García, de Santiago de Cuba. Ele disse que o jovem que protestou durante a missa do Papa foi Andrés Carreón Alvarez, de 38 anos, formado em reabilitação social e ocupacional e cuja esposa é médica", informou Berta Antunez, porta-voz do Centro de Apoio e Informação da Assembleia da Resistência Cubana (ARC), em Miami.

Segundo Antunez, "Andrés é um cidadão humilde, cansado da repressão e da falta de direitos e que há algumas semanas entrou em contato com pessoas da dissidência", entre elas Alfonso Chaviano Peláez, ativista da organização União Patriótica de Cuba (UNPACU), que reconheceu Carreón Alvarez.

Telefone

De acordo com a versão da ARC, formada por organizações de dentro e fora da ilha, o serviço telefônico de Ferrer García e de Chaviano Peláez foi interrompido durante os dias da visita do papa a Cuba.

"Mas Chaviano Peláez conseguiu superar os problemas, comunicou-se com García Ferrer e lhe disse que havia reconhecido o manifestante da missa de Santiago de Cuba como Andrés Carreón Alvarez".

Em comunicado, o Centro de Apoio e Informação da ARC afirmou que vários dos 250 ativistas detidos em suas casas durante a visita papal foram liberados e seus telefones, desbloqueados.

Várias organizações anticastristas e defensoras dos direitos Humanos fizeram apelos à comunidade internacional para que o paradeiro e a identidade “do cidadão cubano que se manifestou contra o comunismo" seja investigado.

*Com AFP e Ansa

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