Regime cubano agora quer matar minha imagem, diz Yoani Sánchez no Brasil

Por iG São Paulo |

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Blogueira dissidente pretende usar parte do dinheiro dos prêmios que ganhou devido ao site 'Generación Y' para fundar uma imprensa livre em Cuba

A dissidente cubana Yoani Sánchez, que foi recebida no Brasil esta semana com protestos de militantes pró-Cuba acusando-a de ser agente da CIA, disse nesta terça-feira (19) que a estratégia do regime comunista contra ela é denegrir sua imagem para desqualificar as críticas que faz ao governo em seu blog "Generación Y".

Yoani, a mais conhecida ativista de oposição da ilha comunista, finalmente recebeu autorização para sair de Cuba e escolheu o Brasil como a primeira parada de uma viagem de 80 dias que a levará a diversos países.

Bahia: Protestos contra blogueira cubana suspendem exibição de documentário

Futura Press
A jornalista e blogueira cubana Yoani Sanchez concede entrevista no auditório do Clube de Diretores de Lojistas, em Feira de Santana, Bahia

Aeroportos: Blogueira Yoani Sánchez chega ao Brasil e é recebida por manifestantes

A blogueira, no entanto, foi recebida com protestos nos aeroportos de Recife e Salvador, na segunda-feira, e a exibição em Feira de Santana (BA) de um documentário em que ela é entrevistada teve de ser suspensa, na noite de segunda, por causa dos protestos. A polícia precisou ser chamada ao local.

A União da Juventude Socialista (UJS) que organiza as manifestações divulgou nota nesta terça negando que seu protesto tivesse impedido a exibição do filme ou que qualquer um dos manifestantes fossem responsáveis por agressões a dissidente cubana.

"(A) manifestação de Feira de Santana não impediu a exibição do filme nem cerceou de qualquer modo o direito de Yoani se pronunciar. A UJS organizou uma manifestação democrática no local, Yoani chegou bastante atrasada e, ao entrar foi recebida apenas com palavras de ordem de protesto, nenhuma agressão verbal, muito menos física", afirma a nota.

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"Não temo pela minha vida. Não temo pela minha vida, porque acredito que a estratégia do governo cubano agora contra mim não é matar meu corpo, mas sim minha imagem", disse Yoani em entrevista coletiva organizada pelo cineasta Dado Galvão, diretor do documentário "Conexão Cuba x Honduras".

O documentário será exibido em São Paulo com a presença de Yoani esta semana, segundo Dado.

Yoani, de 37 anos, recebeu seu passaporte há apenas duas semanas, graças a uma reforma de imigração cubana que entrou em vigor neste ano, depois de ter seu pedido para viajar negado mais de 20 vezes nos últimos cinco anos.

A possibilidade de Yoani deixar Cuba foi vista como um teste das novas leis migratórias do país, que eliminaram a necessidade da permissão para deixar a ilha, imposta aos moradores por cinco décadas.

As autoridades de Cuba podem continuar negando viagens, alegando defesa da "segurança nacional", e entre outros motivos, o que explica por que outros dissidentes enfrentarem restrições. Ainda assim, a queda da restrição é vista como uma das reformas mais significativas do presidente Raúl Castro para renovar alguns elementos da economia, do governo e da sociedade de Cuba.

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A blogueira, que ganhou uma série de prêmios internacionais por seu blog "Generación Y", mas não conseguiu permissão para viajar e recebê-los, disse que vai fazer isso agora e que pretende usar parte do dinheiro dos prêmios para fundar uma imprensa livre em Cuba.

"Quero que seja um veículo de imprensa responsável com a realidade e com o futuro do meu país, não um meio de imprensa que alimenta a vingança nem o ressentimento nem o ódio, um meio de imprensa que analisa objetivamente a realidade, de informações aos cubanos e proponha soluções", disse Yoani.

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A visita da dissidente ao Brasil levou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a apresentar requerimentos ao Senado solicitando a presença dos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e do embaixador cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, para esclarecer denúncia feita pela revista Veja, no fim de semana, sobre um possível plano de Cuba para espionar Yoani no Brasil.

A viagem de Yoani para o Brasil foi paga através de doações pela internet - o diretor do documentário Conexão Cuba-Honduras, Dado Galvão, lançou a campanha para reunir fundos. A Prefeitura de Feira de Santana, onde o filme deveria ter sido exibido, pagou pela sua hospedagem.

Com Reuters e AP

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