Cuba deve livrar médicos de rígidas restrições a viagens para fora da ilha

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Benefício a profissionais de saúde fará parte de reforma mais ampla prevista para entrar em vigor nesta 2ª, em que governo deixa de exigir permissão de saída para viajar ao exterior

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Cuba levantará suas restrições às viagens de profissionais da saúde ao exterior como parte de uma reforma mais ampla prevista para entrar em vigor nesta segunda-feira, disse um médico cubano sob condição de anonimato à Associated Press.

Fim do 'cartão branco': Cuba derruba exigência de permissão para deixar país

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Médicos recém-formados são fotografados com seus diplomas depois de formatura no teatro Karl Marx em Havana, Cuba (18/07/2012)

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Diretores de hospitais souberam da nova política em uma reunião no sábado de 5 de janeiro com o ministro da Saúde Roberto Morales, e a notícia da mudança foi retransmitida em reuniões de equipe nos hospitais cubanos, de acordo com o médico, que participou de um dos encontros subsequentes.

A diretiva do ministro dizia: "Um médico será tratado como qualquer outro cidadão a partir de agora e poderá sair livremente desde que o país de destino permita sua visita" por meio da emissão de um visto de entrada, disse o médico. "Aparentemente, a antiga lei foi completamente revogada", disse. "Não há nenhum tipo de restrição."

Outra médica confirmou que ela também havia sido informada da nova política.

Durante muitos anos, os médicos cubanos sofreram restrições na sua capacidade de viajar ou tiveram de passar por complexos procedimentos burocráticos. Rotineiramente eles tinham negadas permissões para viajar ou, depois de um processo que durava cerca de cinco anos, ganhavam autorização apenas se pretendiam deixar o país para sempre.

As restrições eram justificadas como necessárias para evitar a fuga de profissionais de um setor que é motivo de orgulho dos líderes comunistas de Cuba e que perdeu milhares de profissionais qualificados na década de 1960 à medida que o país abraçava cada vez mais o socialismo após a Revolução Cubana. Muitos outros foram embora do país durante a crise econômica da década de 1990.

Outros indivíduos em ocupações estratégicas, como cientistas, militares e atletas também passavam por dificuldades para obter permissão para viajar.

Em outubro de 2012, as autoridades anunciaram o fim do visto de saída amplamente detestado conhecido como "cartão branco", que durante décadas era exigido de qualquer cubano que queria viajar ao exterior. A reforma também aumentou para dois anos o prazo que os cubanos podem ficar no exterior sem perder seus direitos como cidadãos.

Especial de 2010: Mesmo sob risco de perder direitos, cubanos sonham em partir

Os EUA oferecem estatuto de refugiado especial aos médicos cubanos que migram de missões internacionais à Venezuela e outros países - algo que o governo da ilha chama de "roubo" de talentos.

A nova política de trabalhadores de saúde aplica-se para aqueles que procuram emigrar quanto aqueles que simplesmente querem viajar como turistas ou para visitar a família no exterior.

As regras talvez não resultarão em um êxodo imediato de médicos para Miami. A maioria não seria capaz de viajar para lá sem um visto americano, embora alguns possuam dupla cidadania espanhola e possam contornar essa exigência.

"Eles nos disseram que fizeram um estudo e descobriram que uma alta porcentagem de médicos que vão para o exterior (em missões ou para conferências) retorna ao país e por isso não há por que restringir os médicos de viajarem", disse o médico.

De acordo com estatísticas do governo, a ilha tinha 265 mil funcionários de saúde no ano passado, incluindo 78 mil médicos.

Por Andrea Rodriguez

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