Raúl Castro se diz disposto a dialogar com os EUA

Em discurso aparentemente improvisado para o 59º aniversário do Dia da Revolução, presidente cubano disse que a 'mesa está posta' para uma conversa 'entre iguais'

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente cubano, Raúl Castro, fez um discurso aparentemente improvisado no Dia da Revolução, no qual afirmou estar disposto a dialogar com os Estados Unidos.

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Raúl, que não discursou nas celebrações da data nos últimos dois anos, tomou o microfone para falar à multidão que assistia ao ato oficial para marcar a data em Guantánamo, no leste da ilha.

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Presidente cubano, Raúl Castro, discursa em evento oficial do Dia da Revolução, em Guantánamo

Ele disse que dialogaria com os EUA desde que fosse “uma conversa entre iguais”. As relações diplomáticas entre os países estão cortadas há cinco décadas.

O presidente cubano disse ainda que a oferta foi feita também por canais diplomáticos e que nenhum tema está descartado. “O dia em que quiserem, a mesa está posta”, enfatizou Raúl sobre a intenção de diálogo do regime cubano com Washington.

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Ele disse que estava preparado para discutir “problemas relacionados a democracia, direitos humanos etc. Mas em termos iguais, porque não somos colônia de ninguém.”

Segundo Raúl, Cuba continuaria independente e livre, e nada como os levantes na Líbia ou Síria, apoiados por forças estrangeiras, aconteceriam no país.

Se os EUA quiserem confronto, ele brincou, então que seja no beisebol ou qualquer outro esporte. “De preferência beisebol quando às vezes eles ganham, às vezes nós”, disse.

Resposta

Em resposta ao anúncio de Raúl Castro, o governo dos EUA reafirmou sua disposição de "estabelecer uma nova relação" com Cuba, mas insistiu que o regime deve tomar várias medidas, inclusive a libertação do prestador de serviços do governo americano, Alan Gross, condenado em 2011 a 15 anos de prisão em Cuba.

"Neste mandato, o governo dos EUA disse repetidamente que está aberto a estabelecer uma nova relação com Cuba", mas o governo cubano deve começar pelo respeito aos direitos básicos, disse Mike Hammer, subsecretário de Estado para Assuntos Públicos. "As tendências autoritárias são muito evidentes... e isso tem de acabar", afirmou Hammer.

Ao enumerar as medidas que Cuba deve tomar para facilitar o diálogo, Hammer enumerou a liberdade de expressão à população cubana, o fim dos "maus-tratos" aos dissidentes e a libertação de prisioneiros políticos.

Plano doméstico

Também no seu discurso, Raúl falou sobre assuntos domésticos ao ressaltar que reformas econômicas e sociais dentro de Cuba seriam feitas “pouco a pouco”.

A cerimônia marca neste ano o 59º aniversário do ataque ao Quartel Moncada, local que era uma espécie de fortaleza militar do regime de Fulgêncio Batista (1952-1958). A ação de 26 de julho de 1953 é considerada o início da revolução liderada por Fidel Castro, irmão de Raúl.

Quando era presidente, Fidel costumava usar o Dia da Revolução para fazer grandes discursos públicos.

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Moradores de Guantánamo, no leste da ilha, assistem a ato oficial que marca o 59º aniversário do Dia da Revolução

A celebração deste ano começou no início do amanhecer desta quinta-feira, com apresentações musicais e discursos.

Em um deles, o vice-presidente José Ramon Machado Ventura disse que Havana continuará lançando esforços para fechar a base naval dos EUA em Guantánamo, onde mantêm uma prisão. “Continuaremos a lutar contra essa violação flagrante.... Nunca iremos parar de tentar reconquistar aquele pedaço de terra”, concluiu.

*Com BBC e Ansa

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