Ele foi eleito no sábado para um mandato-tampão - com voto de 13 dos 24 deputados distritais - e assume a vaga deixada por José Roberto Arruda." / mandato-tampão - Escândalo no DF - iG" / Ele foi eleito no sábado para um mandato-tampão - com voto de 13 dos 24 deputados distritais - e assume a vaga deixada por José Roberto Arruda." /

Rosso toma posse no Distrito Federal para cumprir mandato-tampão

O novo governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), tomou posse nesta segunda-feira em cerimônia realizada na Câmara Legislativa. http://ultimosegundo.ig.com.br/escandalodf/2010/04/17/rogerio+rosso+e+o+novo+governador+do+distrito+federal+9461607.htmlEle foi eleito no sábado para um mandato-tampão - com voto de 13 dos 24 deputados distritais - e assume a vaga deixada por José Roberto Arruda.

iG São Paulo com Agência Estado |

Em seu discurso de cerca de 15 minutos, Rosso se emocionou e disse que a "hora é de união". "Foi um esforço inédito de união que nos trouxe até aqui. Pela primeira vez um grupo tão expressivo de partidos superou diferenças, abriu mão de vaidades pessoais para dar legitimidade a um governo local", disse, referindo-se ao fato de ter sido eleito com apoio de vários partidos, que se uniram para impedir que o então governador interino, Wilson Lima, apoiado por Joaquim Roriz, vencesse.

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Rosso fala com a imprensa logo após saber resultado da votação

Acusado de comandar o "mensalão do DEM", o então governador José Roberto Arruda ficou preso por 60 dias por obstrução da Justiça. Ele foi pressionado a pedir desfiliação do DEM, partido pelo qual foi eleito em 2006, e acabou cassado pela Justiça Eleitoral por infidelidade partidária há cerca de um mês.

Discurso

Rosso se emocionou primeiro ao agradecer a presença dos políticos locais e da família. Depois, assim que anunciou que as filhas, na noite anterior, tinham escrito uma lista de ações que elas gostariam que o pai fizesse à frente do DF.

Segundo ele, a primeira menina a falar pediu melhoria no transporte, mais segurança, mais paradas de ônibus e mais empregos. A segunda pediu "mais emprego e não matar as pessoas". "Esta última parte é sobre segurança pública", esclareceu Rosso.

Como promessas de governo, Rosso seguiu a orientação das filhas e prometeu investimentos nas áreas essenciais, como "como saúde, educação, segurança e obras". "Vamos trabalhar pautados pela objetividade e pela simplicidade", afirmou o governador.

Combate à corrupção

Responsável por conduzir o governo até 31 de dezembro, Rosso se comprometeu a dar maior transparência às contas do governo, fazer auditorias e balanços quinzenais dos trabalhos.

"Nosso inimigo maior é a corrupção", disse, na esteira dos escândalos envolvendo o Executivo e o Legislativo locais nos últimos cinco meses.

O novo governador chamou de "crise devastadora" a situação no DF e afirmou que pretende "repor a cidade nos trilhos".

Emoção

Durante o discurso, o peemedebista se emocionou pela terceira vez ao agradecer, de novo, pela presença da família, e do pai, que, segundo o governador, não saía de casa há três meses até participar, hoje, da posse dele.

Além dos deputados distritais e assessores, apenas um senador e três deputados federais eleitos pelo DF participaram da cerimônia. Foram eles Adelmir Santana, senador pelo DEM, e presidente do diretório local do partido; e os deputados federais Osório Adriano (DEM), Tadeu Filippelli (PMDB) e Geraldo Magela (PT). O ex-governador do DF, José Ornellas, e Wilson Lima também estavam presentes.

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Rosso durante coletiva à imprensa, logo após posse

Intervenção no DF

Logo após a posse, Rosso anunciou, na primeira coletiva à imprensa que pretende se reunir com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para conversar sobre o pedido de intervenção no governo do DF. O pedido da Procuradoria ainda precisa ser votado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

"A nossa proposta, o nosso objetivo é trabalhar em duas frentes: a normalidade institucional, o afastamento da intervenção; e entregar um governo com equilíbrio fiscal, com as obras mais importantes terminadas. Não podemos admitir erros", disse ele, que citou uma lista de ações que devem ser tomadas para mostrar ao STF que a intervenção é desnecessária, como a auditoria nos contratos do governo e a proibição de contratos emergenciais sem licitação.

O governador adiantou ainda que haverá alterações na formação do secretariado de governo, mas não informou em quais pastas haverá substituição. "Haverá alterações, mas com responsabilidade", afirmou.

Biografia

Rosso começou na vida política como aliado do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), tendo sido indicado por ele administrador de Ceilândia, uma das maiores unidades administrativas do Distrito Federal, em 2004. O peemedebista também trabalhou no governo Arruda, quando assumiu a gestão da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em 2007.

Na companhia, Rosso sucedeu Durval Barbosa, suposto operador do "mensalão do DEM", que depois veio a ser o delator do esquema - pela gestão à frente da Codeplan, Durval responde a diversas ações judiciais por desvios milionários.

A candidatura de Rosso ao governo do DF foi articulada pelo deputado federal Tadeu Filippelli, também do PMDB. O parlamentar hoje trabalha por uma aliança local com o PT para repetir o acordo fechado entre os dois partidos em âmbito nacional. O PT local é reticente à aliança com o PMDB, ex-partido de Roriz e ex-aliado de Arruda.

Mas o mandato-tampão de Rogério Rosso deve dar força para Filippelli fechar o acordo que deseja. Aliando-se ao PT, o PMDB aumenta as chances de vencer Roriz na eleição para governador em outubro, e, consequentemente, monta um palanque forte para Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão de Lula.

Rock

Nascido no Rio de Janeiro, Rogério Rosso tem 41 anos e é casado com Karina Curi, que pertence a uma das famílias mais ricas da cidade, dona de uma empresa revendedora de pneus. Karina é íntima da família de Roriz.

O sogro de Rosso doou R$ 1,3 milhão para sua campanha eleitoral em 2006. Ele conseguiu 51 mil votos e ficou como primeiro suplente do PMDB na Câmara dos Deputados. Quando não faz política, ele se dedica ao rock pesado - toca baixo, guitarra e teclado. O novo governador do DF mantém um estúdio pessoal para os ensaios com sua banda formada por amigos.

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