Reitor da UnB visita nova Câmara de Brasília, ocupada por estudantes

Segundo o reitor, ele foi ao local apenas para apoiar os estudantes, que agradeceram

Fred Raposo, iG Brasília |

O reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Junior, visitou a nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, ocupada na noite desta quarta-feira por estudantes da UnB e de outras universidades que são ligados ao movimento Fora Arruda e Toda a Máfia.

A reportagem do iG acompanha desde o início a manifestação contra as eleições indiretas no Distrito Federal, que acontece no dia em que Brasília completa 50 anos. Recebido aos gritos de "José Geraldo é ocupante", o reitor disse esperar que "as consequências da manifestação se mantenham no plano político".

"Os estudantes me telefonaram pedindo uma presença forte caso fosse preciso fazer algum tipo de mediação", afirmou ele, que reforçou não fazer parte do movimento.

Segundo o reitor, ele foi ao local apenas para apoiar os estudantes, que agradeceram. "Ele sentem solidariedade e segurança (com a presença)", afirmou José Geraldo.

Ocupação "pacífica"

O ato começou por volta das 20h30, quando cerca de 40 estudantes ocuparam o espaço, que chegou a ser isolado. Segundo os manifestantes, a ideia é fazer uma "ocupação pacífica" em protesto contra as eleições indiretas e pelo fato do governador eleito para um mandato-tampão, Rogério Rosso (PMDB), ter participado das administrações dos ex-governadores Joaquim Roriz (PSC) e José Roberto Arruda.

Os manifestantes também defendem a intervenção no Distrito Federal, o que, para eles, é a única forma de se sanar os escândalos de corrupção que assolam Brasília desde a operação Caixa de Pandora, que trouxe à tona o chamado Mensalão do DEM.

Para Rodrigo Graça, estudante da Universidade de Brasília que participa do protesto, a eleição de Rosso foi "um tapa na cara". "Não reconhecemos a posse", afirmou. "Essa é uma ocupação no lugar que teve desvio de verbas, superfaturamento e é simbólico por ser a próxima Câmara".

O prédio ocupado pelos estudantes fica próximo ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, e vai abrigar a Câmara Legislativa do DF, que vai se mudar do fim da Asa Norte para o novo edifício.

Piquenique

Antes da visita do reitor, os manifestantes fizeram um piquenique no local de protesto, que contou com um saco de maçãs, doze caixas de leite desnatado, um cacho de bananas, um saco de pão francês, uma caixa de suco de abacaxi, queijo, ricota, biscoitos, um saco de limões e um galão d'água.

Um militante do Psol, Marcelo Barra, 35 anos, afirmou que o piquenique foi financiado pelo partido, que apoia o movimento "Fora Arruda e Toda a Máfia" desde o fim do ano passado. No local, também há militantes do PSTU.

Após o início do piquenique, um dos manifestantes gritou, empunhando um saco plástico na mão direita: "galera, não vamos espalhar o lixo, hein?".

Polícia

O local chegou a ser isolado por policiais. Neste momento, um dos estudantes disse que a polícia "colocou fuzil na nossa cara" e outro reclamou ter recebido luz de lanterna diretamente em seu rosto. "É melhor colocar um óculos", comentou um policial.

A tensão diminuiu quando a polícia deixou de isolar o local, por ter confirmado que o prédio ainda não foi entregue ao poder público. Nesse caso, o pedido de reintegração de posse deve ser feito pela construtora.

Com o fim da barreira policial, mais pessoas começaram a participar da ocupação. Uma enorme bandeira preta com a inscrição "poder popular" foi estendida.

Com reportagem de Severino Motta, iG Brasília

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