PF prende servidor acusado de subornar testemunha do escândalo do Distrito Federal

No momento da prisão, Antônio Bento da Silva tinha R$ 200 mil em dinheiro; governo do DF nega ligação com servidor aposentado

Matheus Leitão, iG Brasília |

O servidor público aposentado Antônio Bento da Silva foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal quando tentava subornar o jornalista Edson Sombra. No momento da prisão, Bento tinha R$ 200 mil em dinheiro vivo. O governo do Distrito Federal nega qualquer ligação com o servidor, aposentado da Companhia Energética de Brasília.

Bento da Silva será indiciado pelo crime descrito no artigo 343 do Código Penal: Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha (...) para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento. A pena é de três a quatro anos de prisão. Na sentença, o juiz pode aumentar a pena em até um sexto do tempo se o crime é praticado para interferir em processo no qual a administração pública é parte.

Sombra foi o responsável por encorajar Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, a contar como funcionava o esquema de corrupção montado no governo José Roberto Arruda (sem partido).

O jornalista é citado por Durval Barbosa em seu primeiro depoimento ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, do qual nasceu a operação Caixa de Pandora. Em 16 de setembro, Durval disse aos promotores Sérgio Bruno Cabral Fernandes e Clayton da Silva Germano que entregou uma cópia dos vídeos fornecidos ao MPDFT ao jornalista Edson Sombra, a um amigo pessoal e a uma pessoa da família. Afirmou, ainda, que eles estavam autorizados a divulgar as imagens caso algo acontecesse com ele. Durval dizia a amigos próximos ouvidos pelo iG que temia pela sua segurança.

Quase um mês depois, em depoimento à Polícia Federal, a promotora Alessandra Elias Queiroga, uma das mais combatentes da cidade, disse que foi Edson Sombra quem intermediou o contato de Durval Barbosa com o Ministério Público.

Alessandra contou que conhecia Durval por conta de processos nos quais ele era réu, mas que teve o contato recente intermediado por Edmilson Edson dos Santos, Edson Sombra, em razão da vontade de Durval obter um canal para confessar sua participação em determinados fatos criminosos. O contato de Durval com Alessandra Queiroga, intermediado por Sombra, deu origem ao primeiro depoimento prestado aos dois promotores do MPDFT.

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