PF liga secretário de governo a empresa onde dinheiro marcado foi encontrado

Transferência de R$ 100 mil revela ligações societárias da construtora Conbral com ex-secretário de governo do Distrito Federal

Matheus Leitão e Rodrigo Haidar, iG Brasília |

Uma transferência de R$ 100 mil descoberta pela Polícia Federal durante as buscas e apreensões da operação Caixa de Pandora revelou ligações societárias da construtora Conbral com o ex-secretário de governo do Distrito Federal José Humberto Pires, um dos principais auxiliares do governador. A Conbral, de acordo com a Policia Federal, "era o local onde o dinheiro ficava guardado para sua distribuição entre os envolvidos no esquema de corrupção".

iG teve acesso aos apensos que compõem o inquérito da Caixa de Pandora, em tramitação no Superior Tribunal de Justiça. De acordo com a PF, a Conbral tem sociedade com a empresa Milênio Empreendimentos Imobiliários, de propriedade de José Humberto Pires. A transferência do dinheiro, numa triangulação de empresas, mostra a ligação estreita entre José Humberto e a Conbral.¿(Leia a seguir a análise da PF sobre a ligação de José Humberto Pires com a Conbral: apenso 1 - apenso 2 )

A sociedade é importante, de acordo com investigadores do escândalo do DF, para mostrar a promiscuidade do público com o privado instaurado no governo do Distrito Federal. Na Conbral foram encontradas cédulas cujos números de série coincidem com aqueles contidos nas cédulas distribuídas por Durval Barbosa, sob monitoramento da Policia Federal, aponta o relatório.

José Humberto é um personagem importante do escândalo político de Brasília. De acordo com depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais e delator do escândalo de corrupção à PF Durval Barbosa, um terço do dinheiro de propina que teria sido exigido pelo governador José Roberto Arruda de empresas de informática no seu primeiro ano de mandato R$ 3 milhões foi entregue na Conbral. O depoimento foi divulgado em primeira mão pelo iG no dia 18 de dezembro . Arruda negou com veemência o depoimento de Durval na ocasião.

¿Em outro depoimento prestado ao Ministério Público Federal em dezembro do ano passado, Durval conta como teria entregue os R$ 3 milhões de propina do setor de informática a Arruda. Por determinação do governador, disse Durval, teria deixado duas parcelas de R$ 1 milhão na casa de José Humberto. Cada uma das parcelas de R$ 1 milhão, segundo Durval, estaria acondicionada em caixa de papelão. A terceira, ainda segundo Durval, foi entregue na Conbral. ¿¿

Ao analisar uma solicitação de transferência bancária de R$ 100 mil ocorrida no dia 11 de maio de 2009, a Polícia afirma que o encadeamento societário das empresas demonstra que existem afinidades societárias entre elas. A análise da PF consta do mandato de busca e apreensão feito na construtora quando a operação foi deflagrada no fim do ano passado.

Procurado pelo iG , o governo do Distrito Federal disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que não pode se pronunciar sobre o caso porque José Humberto deixou o governo após o escândalo. O iG procurou o ex-secretário de governo de Arruda e deixou recado em seu celular, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

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