PF afirma que deputado do bilhete tinha contrato com o governo do DF

Deputado é suspeito de receber repasses mensais de R$ 50 mil de Omézio Pontes, ex-assessor de imprensa do governador José Roberto Arruda

Matheus Leitão e Rodrigo Haidar, iG Brasília |

A Polícia Federal encontrou indícios de que o ex-deputado distrital Geraldo Naves (DEM) recebia repasses mensais de R$ 50 mil de Omézio Pontes, ex-assessor de imprensa do governador José Roberto Arruda. Em busca e apreensão feita na casa de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo do Distrito Federal, a PF encontrou cópias autenticadas de cheques da empresa Rota Central Produções, que prestava serviços ao governo do DF. Os cheques estavam assinadas por Naves. 

Para a Polícia Federal, os cheques assinados por Naves demonstram a ligação do ex-deputado distrital com a empresa. A PF também apreendeu na casa de Durval um documento segundo o qual Naves recebia mensalmente R$ 50 mil de Omézio a título de prestação de serviços que a empresa Rota Central Produções presta ao GDF.

O material consta relato de repasse mensal de dinheiro de Omézio Pontes (assessor de imprensa do governador José Roberto Arruda e um dos distribuidores das verbas desviadas dos contratos feitos com o GDF) ao deputado distrital Geraldo Naves, do DEM por serviços prestados ao GDF por meio da empresa Rota Central Produções, registra a Polícia no relatório ao qual o iG teve acesso.

O ex-deputado Geraldo Naves, que fazia parte da base de Arruda na Câmara Legislativa, foi quem procurou ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra, pela primeira vez com a proposta da tentativa de suborno para que ele desacreditasse dos vídeos divulgados por Durval Barbosa. Os vídeos, obtidos em primeira mão pelo iG, mostram empresários, deputados e o próprio governador recebendo dinheiro de Durval Barbosa. Naves teve a prisão decretada hoje à tarde, junto com o governador Arruda e outras quatro pessoas, por envolvimento na tentativa de suborno.

O próprio deputado renunciou ao mandato depois da prisão do servidor aposentado Antônio Bento da Silva, que o substituiu nas supostas negociações de suborno. Naves admitiu ter entregue um bilhete escrito pelo governador a Sombra. Mas ele negou que o papel fazia parte de uma tentativa de suborno.

O bilhete foi apresentado por Sombra PF para comprovar a pressão sofrida para alterar seu depoimento sobre o suposto esquema de distribuição de propina no governo do Distrito Federal e na Câmara Legislativa. Segundo Naves, o recado de Arruda tinha o objetivo de tranquilizar o jornalista, que temia uma queda no número de anúncios publicitários e de verba de patrocínio em seu jornal depois do escândalo.

A defesa de Arruda afirma que a tentativa de suborno foi uma armação. E que o deputado levou o papel rascunhado a Edson Sombra sem o conhecimento ou a anuência do governador. Os advogados Gerardo Grossi e Nélio Machado, que representam o governador, creditam o bilhete a uma antiga mania do governador. Tudo que Arruda pensa ele escreve em papéis que ficam jogados sobre a sua mesa, em profusão. Qualquer bobagem, afirmou Grossi em recente entrevista coletiva. Omézio, por meio da assessoria, afirmou que responderá as acusações somente na justiça. Naves, que teve a prisão decretada à tarde, não retornou as ligações feitas pelo iG desde ontem. 

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