Paulo Octávio renunciou depois de conversa com Rodrigo Maia

O ex-vice-governador do Distrito Federal decidiu sair do governo depois de conversar com o presidente Nacional do Democratas

Matheus Leitão e Rodrigo Haidar, iG Brasília |

O ex-vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, decidiu sair do governo depois de conversar nesta terça-feira com o presidente Nacional do Democratas, deputado federal Rodrigo Maia. A conversa foi uma última tentativa de conseguir apoio político, ao menos de seu partido, para permanecer no comando do DF.

Paulo Octávio e Rodrigo Maia conversaram por quase uma hora. Como o então governador em exercício não obteve nenhum sinal de que seria poupado pela Executiva Nacional do DEM, jogou a toalha.

A conversa e recentes notícias que chegaram ao conhecimento de Paulo Octávio por pessoas próximas a ele foram fundamentais para a renúncia, que já vinha sendo pensada desde que o governador afastado José Roberto Arruda foi preso no último dia 11 de fevereiro.

Ele andava com a carta de renúncia escrita no bolso do paletó nas últimas semanas. Mesmo durante suas férias nos Estados Unidos, em janeiro, Paulo Octávio passava boa parte do tempo em conversas telefônicas. Tentava criar uma base de sustentação política para realizar o seu sonho de governar a cidade. 

Mas, ao voltar para Brasília antes de seus familiares, começou a receber informações sobre sua situação nas investigações. As novas informações davam conta de que, apesar de até agora não ter aparecido em vídeo pegando dinheiro como apareceram Arruda, empresários, secretários de governo e deputados distritais as investigações do escândalo do DF trazem fortes indícios de sua participação no esquema de corrupção que atingiu a cúpula dos poderes Executivo e Legislativo locais.

Elas fazem parte de outras operações da Polícia Federal, semelhantes a operação Caixa de Pandora deflagrada no fim de novembro.

Na última quinta-feira, pouco antes de decidir ficar no comando do governo do DF, Paulo Octávio sondou a cúpula do DEM para saber se era possível ficar também no partido. Líderes da legenda disseram que para ficar no partido ele teria de deixar o governo. O governador decidiu continuar governado e anunciou a saída do DEM.

"Agora, antes de bater o martelo pela saída, o ex-governador voltou a sondar o partido. Mas era tarde. Não havia mais clima para ele dentro do partido. Não dava para voltar atrás", disse o deputado federal Paulo Bornhausen, vice-presidente nacional do DEM.

O ex-vice-governador tentou até o último momento conseguir apoio político. Mas a pressão de seu partido e as notícias de novas acusações não permitiram um clima minimamente tranquilo para ele tentar formar o governo de coalizão que pretendia. Em reuniões feitas no fim de semana com deputados distritais e membros do diretório do DEM no Distrito Federal os sinais de que não haveria condições de governar foram ficando cada vez mais claros.

"Paulo Octávio achou melhor não se expor mais do que já se expôs. O aconselhei a deixar o governo na última quinta-feira. Acho que fez bem em, agora, sair para preservar a vida pessoal", afirmou o secretário-geral do diretório do DEM no DF, Flávio Kouri.

"Mesmo não havendo nenhum fato novo, foram aprovados três pedidos de impeachment contra ele. Acho que Paulo Octávio fez o que era correto. Ninguém agüenta tanta pancada. Tem de ter o couro muito duro", completou Kouri.

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