Paulo Octávio renuncia ao cargo de vice-governador do Distrito Federal

Renúncia foi provocada pela "total incapacidade dele (Paulo Octávio) de gerenciar o governo neste momento", segundo Rodrigo Maia

Matheus Leitão, iG Brasília |

O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (ex-DEM), renunciou por volta das 16h30 desta terça-feira ao mandato. A carta de renúncia foi encaminhada à Câmara Legislativa do DF e foi lida em plenário pelo presidente da Casa, Wilson Lima, o próximo na linha sucessória do cargo. Com o pedido de renúncia, o pedido de intervenção no DF feito pelo Ministério Público ganha força.

Na carta, ele afirmou que deixou o cargo por não ter apoio para governar o Distrito Federal e disse que "saio da cena política e me coloco nas fileiras da cidadania".

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), avaliou que a renúncia foi provocada pela "total incapacidade dele (Paulo Octávio) de gerenciar o governo neste momento". Segundo Maia, faltou a Paulo Octávio condições para continuar governando Brasília.

Na manhã de hoje, Paulo Octávio apresentou ao DEM seu pedido de desfiliação. O comunicado tem apenas uma frase: Venho por meio desta comunicar a minha desfiliação do partido. O DEM já tinha dado o prazo até amanhã para que Paulo Octávio tomasse sua decisão pela desfiliação do partido ou pela renúncia ao governo. Caso nenhuma das decisões fosse anunciada, já havia consenso dentro do partido para a expulsão sumária do governador.

Nesta terça-feira mesmo, um grupo de parlamentares do DEM apresentaria ao partido o pedido de expulsão de Paulo Octávio, por causa das denúncias que supostamente envolvem a cúpula do governo do DF, deputados distritais e empresários em um esquema de corrupção.

Paulo Octávio é citado em investigação da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de pagamento de propina, o mesmo que investiga o governador licenciado, José Roberto Arruda.

Preso há 12 dias na PF por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a suspeita de tentar obstruir a apuração do caso, o governador eleito pode deixar a carceragem na próxima quinta-feira, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar o pedido de habeas-corpus apresentado pela defesa de Arruda.

A decisão de Octávio, de deixar o cargo que ocupava interinamente, ocorre cinco dias após ele anunciar que permaneceria no governo, apesar de ser alvo de ao menos seis pedidos de impeachment desde que assumiu posto.

Na ocasião, Octávio afirmou que ficaria no governo por pelo menos mais uma semana, apesar de ter em mãos uma carta-renúncia já redigida. A decisão foi tomada após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que irritou a cúpula do DEM - que, pouco depois, decidiu expulsar o correligionário do partido.

Ao se desfiliar da legenda, Octávio segue o mesmo caminho de Arruda. Depois do escândalo, que veio à tona em novembro e foi divulgado pelo iG , o governador afastado também pediu desfiliação do DEM no mês seguinte.

Wilson Lima

Amigo de José Roberto Arruda, o deputado distrital Wilson Lima, eleito pelo PR, usou do bom trânsito entre os colegas para ser içado, no início do mês, a presidente da Câmara Legislativa. Foi nomeado após a saída de Leonardo Prudente, flagrado guardando dinheiro na meia, com votos de 17 dos 24 parlamentares. Desses 17, oito são investigados pela Operação Caixa de Pandora. Prudente e Eurides Brito, também flagrados recebendo dinheiro , estudam reunciar aos mandatos até quarta-feira.

Com a falta de credibilidade da Câmara Legislativa, os deputados estudam fazer uma emenda na Lei Orgânica do DF nos próximos 15 dias para abrir a possibilidade de uma eleição indireta no próximo mês.

Considerado afável e simpático pelos colegas, Wilson Lima recebeu dos colegas o apelido de deputado ursinho. "O Wilson Lima é muito amável no trato pessoal, sim, mas essa amabilidade não se sobrepõe aos mandos do governador", pondera a deputada Érika Kokay (PT).

(Com Agência Estado)

    Leia tudo sobre: paulo octávio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG