Operação que pode culminar com prisão de Arruda foi deflagrada antes do previsto

Governador do Distrito Federal teve prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça

Matheus Leitão e Rodrigo Haidar, iG Brasília |

A operação da Polícia Federal que prendeu há uma semana o servidor Antônio Bento da Silva no ato da entrega de R$ 200 mil em dinheiro vivo para o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra, foi deflagrada depois de pressão feita para que a negociação fosse concluída com rapidez. A informação consta do depoimento de Sombra à PF, dado depois da prisão do servidor. Agora, o governador José Roberto Arruda teve a prisão decretada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Fernando Gonçalves.

De acordo com Sombra, na quarta-feira, dia 3 de fevereiro, Bento e um diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB) chamado Haroaldo Brasil, amigo próximo de Arruda, o pressionaram para que os encontrasse à noite para receber o dinheiro e entregar assinada a declaração na qual desqualificaria os vídeos produzidos por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo José Roberto Arruda e pivô do escândalo de corrupção do Distrito Federal. A participação de Haroaldo, de acordo com investigadores do caso, tornou insustentável a defesa de Arruda e foi um dos fatores preponderantes para a decisão de Fernando Gonçalves. 

Edson Sombra foi um dos responsáveis pelas acusações de corrupção contra o governo Arruda. Foi ele quem estimulou Durval a filmar funcionários do governo, deputados, empresários e até o governador Arruda pegando dinheiro em seu gabinete. Depois o incentivou a entregar os vídeos ao Ministério Público.

Segundo o depoimento de Sombra, depois da pressão dos servidores, ele decidiu marcar o encontro para a manhã de quarta-feira na Torteria de Lorenza, doceria que fica na quadra 103 o bairro Sudoeste, em Brasília, e avisou à Polícia. No ato da entrega do dinheiro que seria a primeira parcela da negociação, foi feita a prisão em flagrante de Bento.

O iG foi o primeiro órgão de imprensa a noticiar que Arruda era suspeito de participar da trama. Na ocasião, investigadores informam também que o bilhete apreendido com o jornalista, levado por um intermediário, foi escrito pelo governador Arruda. Em depoimento à PF, Bento disse que recebeu o dinheiro de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário do governador. O iG tentou ouvir Haroaldo no últimos sete dias. Deixou recado no seu celular, mas não obteve retorno. Arruda disse, por meio de sua assessoria, que se entregará espontaneamente à Justiça.

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