No último dia, vice beneficia empresa ligada a Arruda

Em seu último dia como governador interino, Paulo Octávio oficializou a prorrogação por um ano, sem licitação, de um contrato com uma empresa envolvida no esquema do chamado Mensalão do DEM no Distrito Federal.

Agência Estado |

Com a medida, Paulo Octávio favoreceu uma empresa cujos donos e ex-sócios fazem parte da relação familiar e pessoal do governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), preso desde o dia 11 na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

O Diário Oficial do DF publicou ontem a renovação por 12 meses do contrato entre a Notabilis Comunicação e Marketing e a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb). O valor global saltou de R$ 286 mil para R$ 573,6 mil. A Notabilis é um dos principais personagens do inquérito que investiga a corrupção no governo de Brasília.

Um filho de Arruda, Marcos, foi sócio da Notabilis entre 2003 e 2005. Seu ex-assessor de imprensa Omézio Pontes também já fez parte do quadro societário. Omézio deixou a assessoria de Arruda em novembro de 2009, após a revelação dos vídeos em que aparece recebendo mais de R$ 100 mil em dinheiro das mãos de Durval Barbosa, delator do esquema.

Hoje, um irmão de Omézio, Orlando Pontes, dirige a Notabilis. É ele quem assina a prorrogação com a Caesb publicada ontem no Diário Oficial, mas com data de 22 de janeiro, três semanas antes da prisão do governador afastado.

Segundo informações de Barbosa, a empresa foi contratada na gestão anterior a pedido de Arruda, então deputado federal, para ajudá-lo na campanha ao governo. Na época, Marcos, filho do governador, era sócio da empresa. Em 2006, a Notabilis recebeu R$ 119 mil da campanha de Arruda. Ele venceu a eleição e manteve a empresa dentro do governo por meio de contratos oficiais e subcontratação por agências de publicidade. A Notabilis faturou mais de R$ 1,5 milhão do governo do DF desde 2007.

'Dentro da lei'

O dono da empresa, Orlando Pontes, afirmou que não há qualquer irregularidade na prorrogação do contrato. "Está tudo dentro da lei. Não sei qual é o pecado", afirmou. Indagado sobre a renovação em meio a uma investigação, ele foi taxativo: "eu não acho nada". As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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