Marco Aurélio Mello decide no início da tarde se mantém Arruda preso

Se o ministro negar a liberdade a Arruda, o governador deve passar o Carnaval preso

Gustavo Gantois e Rodrigo Haidar, iG Brasília |

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidirá no início da tarde desta sexta-feira se mantém preso o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ou se o liberta. A defesa de Arruda entrou com pedido de habeas-corpus no STF na noite de quinta-feira, depois de o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por 12 votos a dois, mandar prender o governador e tê-lo afastado do cargo.

O governador passou a noite preso em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal (PF). O assessor de imprensa de Arruda, André Duda, informou que a PF colocou uma cama à disposição do governador licenciado de Brasília. Se o ministro negar a liberdade a Arruda, o governador deve passar o Carnaval preso. Isso porque sua defesa já avisou que esperará o julgamento do mérito do caso, quando os outros 10 ministros do STF decidirão se mantêm ou derrubam a decisão de Marco Aurélio Mello, seja ela qual for.

Reunidos no restaurante Piantela, tradicional reduto de políticos em Brasília, os advogados de Arruda, Nélio Machado e José Gerardo Grossi, passaram a noite discutindo o pedido de habeas-corpus. Em certo momento, chegou a informação de que Arruda pediu uma pizza. Os dois desmentiram e afirmaram que o governador passou a noite em claro e não comeu.

O ministro Marco Aurélio Mello está analisando as informações enviadas na quinta-feira à noite pelo STJ e pela defesa de Arruda sobre o decreto de prisão do governador. Nesta quinta, o ministro havia dito que decidiria o pedido no mesmo dia. Mas mudou de idéia porque o processo completo ainda não havia chegado às suas mãos até as 22h30.

Marco Aurélio tem o hábito de decidir falando em um gravador. Depois, sua assessoria degrava o voto. Ele, então, confere, faz correções e assina. A decisão sobre o pedido de liberdade de Arruda já está sendo degravada.

AE
Flávia, mulher de Arruda, visita o governador afastado na Superintendência da PF

Arruda e mais quatro pessoas tiveram a prisão determinada sob a acusação de atrapalhar as investigações do inquérito da Caixa de Pandora, que revelou um esquema de corrupção na cúpula dos poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal. A acusação de atrapalhar as investigações tem base na tentativa de suborno feita por emissários do governador ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra.

O sobrinho de Arruda, Rodrigo Arantes, se entregou à Polícia na noite de quinta. A PF ainda aguarda que os outros três acusados pela tentativa de suborno se entreguem: Wellington Morais, ex-secretario de comunicação do governo; Haroaldo Brasil, amigo íntimo de Arruda e ex-diretor da Companhia Energética de Brasília; e Geraldo Naves, ex-deputado distrital. Eles serão considerados foragidos pela Polícia quando o decreto de prisão completar 24 horas. A decisão de prendê-los foi tomada na quinta, por volta das 15h.

Segundo as investigações, eles ofereceram dinheiro ao jornalista para que Sombra desse uma declaração atacando a autenticidade dos vídeos gravados por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo do DF. Os vídeos, nos quais empresários, deputados, secretários e o próprio governador aparecem pegando dinheiro supostamente de propina, foram divulgados em primeira mão pelo iG .

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