Líderes do DEM querem, agora, expulsão de Paulo Octávio

Executiva do partido é em resposta à decisão de Octávio de continuar como governador em exercício do Distrito Federal

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

A decisão do governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), de continuar no cargo até pelo menos a próxima semana, despertou reações dentro do próprio partido, que ameaça intervir no diretório estadual e expulsá-lo já no início da semana que vem. Isso se o correligionário não anunciar a desfiliação antes, como espera a cúpula da legenda.

Líder do DEM na Câmara, o deputado Paulo Bornhausen (SC) afirmou nesta quinta-feira, logo após o pronunciamento de Octávio, que a única recomendação que o governador em exercício deveria seguir é a de seu partido e que, ao acatar conselhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , ele praticamente assinou sua ficha de desfiliação.

Agência Brasil
Paulo Octávio e Arruda

O DEM já recomendou aos seus filiados que deixem o governo do Distrito Federal. O prazo estipulado pelo partido era que os correligionários entregassem os cargos no primeiro dia útil após feriado de carnaval - ou seja, nesta quinta-feira.  Aliados do governo local, filiados ao DEM, como os deputados Eliana Pedrosa, líder do partido da Câmara Legislativa, e Paulo Roriz, além do senador Adelmir Santana, estavam ao lado de Octávio quando ele anunciou que ficaria no cargo.

Até então, Octávio estava sendo poupado de críticas do DEM porque, segundo os dirigentes da sigla, não havia indícios de envolvimento dele com o suposto esquema de propina montado no governo do DF que culminou na prisão de José Roberto Arruda - que seria expulso do DEM caso não tivesse tomado a decisão de deixar, antes, o partido.

Entretanto, ao insistir em permanecer no cargo, sobretudo após se reunir com o presidente Lula, o governador em exercício e os aliados que o apoiaram na decisão compraram briga com a cúpula dos democratas, que tentam estancar as feridas do escândalo para que não respinguem no partido em ano eleitoral.

Em seu anúncio, Paulo Octávio se disse agradecido pelo apoio pessoal do presidente Lula e do seu governo.

"O DEM quer que todos deixem o partido, inclusive ele. O partido já cobrou uma posição, mas ele optou por se juntar ao presidente Lula, que tem histórico de leniência", disse ao iG o deputado Paulo Bornhausen.

O Planalto do Planalto negou no final desta tarde que o presidente Lula tenha recomendado a Paulo Octávio permanecer no cargo. Bornhausen, porém, afirma ter convicção de que o governador interino foi orientado por Lula. "Podem negar. Mas ele se encontrou com o presidente e depois tomou a decisão. Para mim isso tem nome e sobrenome: Lula da Silva."

Bornhausen também afirmou que não está descartada a intervenção do diretório estadual do partido. "Não seria a primeira vez. Se for preciso, vamos dissolver a executiva. Faz parte do processo. Não posso punir alguém aleatoriamente. Não sou a executiva, mas por mim esse assunto tem que ser página virada. Quem quiser defender essa posição de ficar no cargo, e não estou nominando ninguém, que saia do partido. Ou será saído."

Outra liderança do partido que condenou a decisão de Octávio nesta quinta-feira foi o deputado ACM Neto, vice-presidente nacional do DEM, que em nota afirmou que o DEM fará "de tudo para desvincular completamente a legenda do governo do DF".

"Já pagamos um preço muito caro por tudo o que já aconteceu e sem responsabilidade alguma. Não podemos continuar vinculados a esse governo", disse ele, que também defendeu a expulsão de Octávio.

A expulsão, porém, pode não ser necessária: segundo o senador Agripino Maia (DEM-RN), líder do DEM no Senado, Octávio já anunciou que pedirá a desfiliação da legenda até segunda-feira.

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