Governador afastado Arruda é alvo de nova denúncia por falsidade ideológica

Arruda é acusado de forjar recibos para justificar o dinheiro que recebeu de Durval Barbosa, pivô do escândalo do DF

Rodrigo Haidar, iG Brasília |

A Procuradoria-Geral da República apresentou, na última sexta-feira, mais uma denúncia contra o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Desta vez, o procurador-geral Roberto Gurgel e a subprocuradora Raquel Dodge acusam Arruda de falsidade ideológica por forjar recibos para justificar o dinheiro que recebeu de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo do DF.

De acordo com a denúncia, são falsos os recibos nos quais o governador declara que recebeu dinheiro de Durval para pequenas lembranças e nossa campanha de Natal. Pelos recibos, Arruda teria recebido R$ 20 mil de seu ex-secretário em 2004, R$ 30 mil em 2005, R$ 20 mil em 2006 e igual valor em 2007. Desde que o governador apareceu em vídeo recebendo dinheiro vivo das mãos de Durval, sua defesa sustenta que os recursos eram fruto de vaquinha entre empresários para a compra de panetones para a população carente.

Já a denúncia do Ministério Público afirma que o governador afastado produziu os falsos recibos para alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante para a Justiça, especialmente para as investigações em curso no inquérito 650-DF, que tramita no Superior Tribunal de Justiça. O inquérito foi batizado de Caixa de Pandora e apura um esquema de desvio de dinheiro público que envolve a cúpula dos poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal.

Essa é a segunda denúncia contra o governador em menos de dez dias. No dia 11 de fevereiro, quando ele foi preso por tentativa de suborno junto com outras cinco pessoas, o Ministério Público Federal o denunciou por corrupção de testemunhas e também por falsidade ideológica.

Segundo o MPF, emissários de Arruda procuraram o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra, para que ele atacasse a autenticidade dos vídeos gravados por Durval, em troca de dinheiro e outros favores, como o abatimento de uma dívida com a Companhia Energética de Brasília (CEB). Os vídeos, nos quais empresários, deputados, secretários e o próprio governador aparecem pegando dinheiro supostamente de propina, foram divulgados em primeira mão pelo iG .

A defesa do governador afastado afirmou que tudo não passou de uma armação feita por Sombra e pelo diretor comercial de seu jornal, o servidor aposentado Antonio Bento da Silva, preso em flagrante ao entregar uma sacola com R$ 200 mil ao jornalista.

Arruda teve a prisão decretada pela Corte Especial do STJ, por 12 votos a dois. No dia 12 de fevereiro, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido de habeas-corpus da defesa e manteve preso o governador afastado. Há a previsão de que na quarta-feira o STF decida se mantém a prisão de Arruda ou o liberta. Em parecer encaminhado ao Supremo também nesta sexta, a PGR pede que ele continue preso para não atrapalhar as investigações.

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