Funcionário preso com R$ 200 mil disse que agia em nome de Arruda

Governador é suspeito de tentar subornar testemunha de inquérito que investiga suposta corrupção no DF

Matheus Leitão, iG Brasília |

O governador José Roberto Arruda é suspeito de envolvimento na tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra. A informação foi passada ao iG por uma autoridade que trabalha na investigação do caso.

Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal prendeu o servidor público aposentado Antonio Bento da Silva com R$ 200 mil em dinheiro vivo no ato da entrega ao jornalista. A prisão foi feita na Torteria De Lorenza, na quadra 303, do bairro sudoeste, em Brasília.

AE
O jornalista Edson Sombra deixa a sede da PF nesta quinta-feira após prestar depoimento

Autoridades que trabalham na investigação informaram ao iG que esta seria apenas a primeira de seis parcelas de R$ 200 mil. Em troca, Sombra deveria desacreditar os vídeos do escândalo em carta que também está nas mãos dos investigadores. Antônio Bento gozava da confiança dos dois lados dessa história. Nos últimos dias, seus movimentos foram acompanhados por agentes da Polícia Federal. 

O Governo do Distrito Federal afirmou, por sua assessoria, que se trata de uma "armação". O GDF informou que Bento seria funcionário de Sombra. O jornalista foi o responsável por encorajar Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, a contar como funcionava o esquema de corrupção montado no governo José Roberto Arruda (sem partido).  

Bento dizia ao jornalista que negociava em nome de Arruda, segundo informaram ao iG autoridades que trabalham na investigação. A proposta era a de que Sombra assinasse um documento afirmando que havia montagens grotescas nos vídeos gravados por Durval Barbosa. A negociação começou há um mês, no dia 8 de janeiro, e Sombra informou todos os passos para a Polícia Federal.

A investigação da tentativa de suborno abriu um novo inquérito que será enviado ao ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça. Por ter ligação com operação Caixa de Pandora , presidida por Gonçalves, o novo inquérito deverá ficar ligado ao original, de número 650.  

O dinheiro da tentativa de suborno será periciado para verificar se há ligação com o que já foi apreendido nas buscas da operação Caixa de Pandora. 

Bento da Silva será indiciado pelo crime descrito no artigo 343 do Código Penal: Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha (...) para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento. A pena é de três a quatro anos de prisão. Na sentença, o juiz pode aumentar a pena em até um sexto do tempo se o crime é praticado para interferir em processo no qual a administração pública é parte. 

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