Ex-governador Arruda deixa a prisão em Brasília

Arruda estava em prisão preventiva desde o dia 11 de fevereiro, acusado de tentativa de obstruir a Justiça

iG Brasília |

Sob gritos de dois grupos de manifestantes - um favorável e um contrário a ele -, o governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), deixou nesta tarde o prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde estava em prisão preventiva desde o dia 11 de fevereiro, acusado de tentativa de obstruir a Justiça.

"Arruda!", gritavam os manifestantes que se dizem amigos do ex-governador, em frente à PF, enquanto ele se dirigia ao carro que o levaria para casa. Os "amigos de Arruda" cantavam hinos religiosos. Os integrantes do outro grupo, contrários ao ex-governador, gritavam palavras de ordem contra ele e contra o ex-vice-governador e empresário Paulo Octávio (ex-DEM), conhecido como "P.O.".

Agência Brasil
Arruda deixa a Polícia Federal ao lado da mulher


Ao sair do prédio, Arruda entrou em uma camionete na qual estava sua mulher, Flávia. Foi seguido pelo advogado de defesa, Nélio Machado, em outro carro. Depois que os carros partiram, os dois grupos de manifestantes permaneceram no local, gritando palavras de ordem um contra o outro.

Segundo o iG apurou junto a pessoas próximas ao ex-governador,  Arruda deve se trancar em sua casa. Não receberá amigos, principalmente aqueles que o acompanharam no mandato. A orientação para o isolamento vem de sua mulher. Ela quer que seu contato de volta com a realidade seja gradual. Por isso, nem mesmo a TV vai ser ligada dentro de casa nos primeiros dias.

De calça jeans e camisa branca, Arruda chegou no início desta noite a sua residência em Brasília evitando conversar com os jornalistas. Arruda mora em um condomínio no Park Way, bairro de classe média alta de Brasília. Coube a Fábio Peres, cunhado do ex-governador, a tarefa de conversar com os jornalistas que estavam no portão de entrada do condomínio.

Segundo ele, Arruda, que cultivou uma barba grisalha enquanto esteve na prisão, está bem. "Graças a Deus, acabou. Vocês estão incomodando os moradores e por isso peço que vocês vão embora", disse Peres.

Arruda foi liberado após a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar a sua prisão. Os ministros entenderam que não há mais necessidade da prisão, porque o ex-governador não teria mais como atrapalhar as investigações do suposto mensalão em Brasília.

"Não mais subsiste a necessidade de prisão. Não há mais como o preso influir na instrução criminal (investigações), mesmo porque ele não sustenta mais a condição de governador de Estado. Neste sentido, entendo que a prisão preventiva deve ser revogada", afirmou o presidente do inquérito, ministro Fernando Gonçalves. 

Arruda estava preso desde o dia 11 de fevereiro acusado de tentar subornar uma das testemunhas da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, que desmontou um suposto esquema de arrecadação e distribuição de propina a integrantes do alto escalão do governo do Distrito Federal e empresários.

O ex-governador havia tentado, sem sucesso, um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, perdeu o cargo de governador. Na sequência, foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária. Arruda deixou o DEM em dezembro depois da revelação do suposto esquema de corrupção. Ele não recorreu da cassação e aceitou a perda da cadeira de governador.

Antes do julgamento, o advogado de defesa, Nélio Machado, havia afirmado estar confiante em relação à soltura de Arruda. Segundo o advogado, não havia "motivo plausível ou sustentável" que justifique a manutenção da prisão, sobretudo pelo "tempo decorrido e o andamento das investigações", período que classificou de "muito sofrimento".

A decisão de hoje do STJ vale também para os outros cinco denunciados que estavam presos. Serão soltos, além de Arruda, o suplente de deputado distrital Geraldo Naves, o ex-secretário de comunicação Wellington Moraes, o conselheiro do Metrô Antônio Bento da Silva, o secretário particular de Arruda, Rodrigo Arantes Diniz, e o ex-diretor da CEB Haroaldo de Carvalho. 

* com informações da Agência Estado

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