Entrada de Roriz na articulação divide Câmara antes de eleição indireta no DF

Divididos em três grupos, deputados distritais irão escolher novo governador do DF no próximo sábado

Severino Motta, iG Brasília |

O apoio oferecido pelo ex-governador do Distrito Federal (DF), Joaquim Roriz (PSC), ao governador interino e candidato das eleições indiretas, Wilson Lima (PR), dividiu a Câmara Legislativa de Brasília.

Os deputados distritais, que vão escolher no próximo sábado um governador para comandar o DF até o dia 31 de dezembro, formaram três grupos. De um lado está o governador interino, Lima, com apoio de seu partido, do DEM, PSDB e PP. Além de contar com o trabalho de Roriz nos bastidores.

Do outro está o restante da antiga base do governador José Roberto Arruda, que, sem um líder, trabalha para impedir a ascensão do grupo agora ligado a Roriz. Eles contam com o PMDB, que tem como o candidato Rogério Rosso, o PRB, que tem Aguinaldo de Oliveira na disputa pelo governo, e o PTB, que lançou Luiz Felipe Ribeiro Coelho.

Além deles, o grupo tem o PPS, com o deputado Alírio Neto, e de Batista das Cooperativas (PRP). Ao todo, seriam 10 dos 24 deputados.

Como a aliança conta com três candidatos, conversas vão ser realizadas até sábado. Eles poderão se unir numa única candidatura ou dar apoio num eventual segundo turno ao nome aliado que lá chegar.

Esse grupo ainda deve lançar, nesta terça-feira, um manifesto pedindo compromissos éticos ao vencedor da eleição indireta. O documento vai servir como uma espécie carta anti-Roriz e prova informal da aliança para impedir a eleição de Lima.

Há ainda uma terceira via em curso, que apóia o candidato petista Antonio Ibañez. Ela conta com os quatro deputados do PT e um possível voto do PDT com o deputado Reguffe. Ele, contudo, discorda das eleições indiretas e ainda não decidiu se vai votar.

Nesta tarde o grupo anti-Roriz tem uma reunião marcada com o PT, quando pedirá que seu manifesto seja assinado. 

Ex-governadores do DF

Arruda é acusado pelo Ministério Público de chefiar uma quadrilha que desviava recursos públicos para pagar mesada e financiar campanhas de deputados da base aliada. Foi preso, perdeu o mandato e, após dois meses, deixou a cadeia.

O delator do mensalão, Durval Barbosa, também acusa Roriz de participar do esquema. Teria sido durante o mandato de Roriz o início do suposto desvio de recursos.

Roriz, que já foi governador do Distrito Federal por três vezes, foi eleito senador em 2006, mas, acusado de receber propina de empresários, renunciou ao cargo para não ser cassado. Quer, nas eleições de outubro, ganhar o quarto mandato como governador.

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