Entenda o escândalo que envolve o governo do Distrito Federal

Polícia Federal investiga suposto esquema de corrupção envolvendo o governador do DF, José Roberto Arruda, empresários e deputados

iG São Paulo |

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), foi apontado, em inquérito da Polícia Federal, como principal articulador de um esquema de corrupção envolvendo integrantes de seu governo, empresas com contratos públicos e deputados distritais. Entenda o caso que foi revelado no dia 27 após operação da polícia.

Operação Caixa de Pandora

No dia 27 de novembro, a Polícia Federal realizou a Operação Caixa de Pandora com objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do governo do Distrito Federal. Foram realizadas buscas em gabinetes de parlamentares do Legislativo brasiliense, em secretarias e até mesmo na residência do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). Segundo a Polícia Federal, cerca de R$ 700 mil, US$ 30 mil e 5 mil euros foram apreendidos na operação, além de computadores, mídias e documentos. Os 29 mandados de busca e apreensão foram realizados em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.

Personagens

Durval Barbosa

AE
Durval Barbosa
Ex-secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, Barbosa foi um dos protagonistas e autor da gravação de uma série de vídeos que mostra políticos e empresários recebendo dinheiro que, segundo a Polícia Federal, faria parte de um esquema de corrupção. O iG divulgou em primeira mão o vídeo gravado por Barbosa em que Arruda é flagrado recebendo dinheiro.

No governo Joaquim Roriz, no Distrito Federal, Barbosa foi presidente da Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal). Atualmente, ele responde a mais de 30 processos na Justiça, entre eles, formação de quadrilha, direcionamento de contratações e corrupção.

José Roberto Arruda

Governador do Distrito Federal desde 2006, quando foi eleito em primeiro turno pelo DEM.

Em 2001, Arruda foi acusado de violar o painel do Senado na votação de cassação de Luiz Estevão. Depois de um discurso negando a violação - tendo jurado publicamente pelos filhos - Arruda acabou admitindo a culpa e renunciou ao cargo, evitando a instalação de um processo de cassação contra ele.

Agência Brasil
Arruda e Paulo Octávio
Em 2002, Arruda foi eleito deputado federal, com o maior número de votos no Distrito Federal.

Paulo Octávio

Presidente regional do Democratas, Paulo Octávio é vice-governador do Distrito Federal e um dos investigados pela Operação Caixa de Pandora.

Paulo Octávio é citado no inquérito da Polícia Federal como um dos beneficiários do suposto esquema de distribuição de recursos ilegais.

Dono de um patrimônio milionário, Paulo Octávio é empresário do ramo da construção civil. 

Joaquim Roriz

Ex-governador do Distrito Federal por quatro vezes, sendo uma delas nomeado, a convite do entrão presidente José Sarney, e as outras três vezes, eleito.

Em 2006, Roriz renunciou ao Senado após suspeitas de irregularidades do Banco de Brasília.

Em setembro deste ano, Roriz deixou o PMDB e acusou a cúpula nacional do partido de "participar de um negócio com o governador" Arruda.

  • Denúncias

    Segundo o inquérito, há indícios de prática dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, peculato, fraude em licitação e crime eleitoral.

    O inquérito diz que Arruda recebia dinheiro de empresas privadas a cada 15 dias e que ficava com 40% da verba. O restante seria dividido entre seu vice-governador, Paulo Octávio, o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, e o assessor de imprensa, Omézio Pontes.

    De acordo com o inquérito, Arruda teria recebido dinheiro de empresas de forma ilegal - e usado parte da verba para cooptar parlamentares na Câmara Legislativa.

    O inquérito coloca ainda Arruda sob acusação de crime eleitoral, supostamente cometido a partir de 2003, antes de sua eleição para o Governo do Distrito Federal - e que teria sido mantido após assumir o cargo.

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