Em meio a protestos, Câmara Distrital sai do recesso e promete instalar CPI da propina

A Câmara Legislativa do Distrito Federal retoma nesta segunda-feira os trabalhos em clima tenso e com a tarefa de analisar os processos contra o governador José Roberto Arruda e os parlamentares acusados de participar do chamado mensalão do DEM.

iG São Paulo |

Os deputados prometem instalar na tarde desta segunda-feira a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o susposto esquema de corrupção no governo Arruda.

O caso foi revelado em 27 de novembro do ano passado, quando a Polícia Federal realizou a Operação Caixa de Pandora com objetivo de coletar provas sobre suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do governo do Distrito Federal.

O iG divulgou em primeira mão o vídeo em que Arruda aparece recebendo um maço de dinheiro . O governador é acusado de comandar este suposto e complexo esquema de corrupção. Em dezembro, Arruda desligou-se do DEM e está sem partido. Até o surgimento das denúncias, sua reeleição era considerada certa. O governador nega as acusações e atribui à oposição a onda de acusações de que se tornou alvo.

Os parlamentares começam também nesta segunda-feira a definir também como vão analisar os pedidos de impeachment contra Arruda e o vice-governador, Paulo Octávio. São pequenas, por enquanto, as chances de que esses processos sigam adiante. A tramitação é longa. Primeiro, vão passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, então, seguem para uma comissão especial. Somente depois serão avaliados em plenário.

Arruda já agiu para atrasar o assunto. Ele acordou com sua base aliada que seu impeachment será discutido somente após a CPI - programada para ter seis meses de duração. Ou seja, não ofereceria nenhuma ameaça a seu mandato neste semestre. A estratégia é empurrar o tema até dezembro, quando encerra sua gestão.

Manifestação

Em frente à Câmara, estão reunidos centenas de manifestantes pró e contra Arruda. Eles fazem protestos com faixas, adesivos e carros de som. Diversos estudantes estão acampados desde a tarde de domingo sentados na porta da entrada principal da Casa. A Polícia Militar do DF faz uma escolta na entrada principal da Câmara para evitar tumultos.

Além disso, o PT, principal partido de oposição a Arruda, programa uma série de manifestações para esta semana. A ideia é impedir que a maioria dos deputados distritais arquive as denúncias contra o governador. Arruda conta com o apoio de 19 dos 24 deputados. Pelo menos 12 dos parlamentares são citados na ação sobre o suposto esquema de corrupção no DF.

"Estamos convencidos de que apenas com mobilização popular e pressão será possível levar esse caso adiante. A preocupação é que o assunto, de alguma forma, caia no esquecimento", disse o presidente regional do PT, Chico Vigilante. "Afinal de contas, muitos dos que vão decidir lá na Câmara Legislativa estão citados no processo."

Ministério Público

A líder do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Érika Kokay, pediu o acompanhamento de promotores do Ministério Público do Distrito Federal no retorno dos trabalhos da Casa.

Segundo a deputada distrital, o pedido havia sido feito para evitar, segundo ela, o uso de recursos públicos para levar à Câmara Legislativa manifestantes à favor de Arruda.

Presidente da Câmara

Nesta segunda-feira, será feito também o pedido de afastamento do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido). Prudente foi flagrado em vídeo colocando dinheiro , do suposto esquema de propina, nas meias. A ideia é que o pedido de afastamento seja votado no mesmo dia.

O deputado distrital recusou o pedido feito por seus colegas da Mesa Diretora para se afastar do cargo enquanto a Casa investiga o esquema de pagamento de propina. Prudente havia se licenciado do cargo depois do início da Operação Caixa de Pandora.

O pedido para que não voltasse a assumir a presidência da Câmara Legislativa foi feito pelos deputados distritais Wilson Lima (PR), Mílton Barbosa (PSDB) e Cabo Patrício (PT), membros da mesa diretora, em uma reunião informal na tarde da última sexta-feira.

(*com informações das agências Estado e Brasil)

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