Em clima de guerra, PT faz prévia para escolher candidato ao governo do DF

O deputado federal Geraldo Magela e o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz vão disputar a indicação de militantes

Andréia Sadi, iG Brasília |

Em clima de guerra, o PT fará prévias neste domingo, das 9h às 17h, para escolher o candidato que vai concorrer ao governo do Distrito Federal. O deputado federal Geraldo Magela e o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz vão disputar a indicação de militantes que, divididos, prometem esquentar a briga trazendo à tona acusações ligando os pré-candidatos a denúncias e investigações. O resultado das prévias deverá ser divulgado hoje mesmo, pouco depois de encerrado o pleito.

Sem o governador cassado e preso José Roberto Arruda (sem partido) e seus aliados do DEM e do PSDB enfraquecidos, o PT passou a ver chance real nas eleições para Executivo estadual de 2010.

Com isso, o deputado Geraldo Magela, que foi derrotado nas eleições passadas para governador, resolveu sair candidato. No entanto, Agnelo acusa Magela de quebrar acordo firmado por ambos em novembro do ano passado: Magela para Senado e Agnelo para governo. O deputado nega que tenha faltado com a palavra e confirmou a sua candidatura. Agnelo tem o apoio da cúpula o partido, mas é novato na legenda. Seguro da vaga, Agnelo, que era do PCdoB, decidiu mudar-se para o ninho petista, mas a candidatura Magela é ameaçadora: ele tem maior penetração entre os militantes de base petistas.

As prévias no DF contrariam determinação do Diretório Nacional do PT, que avalia  ser "inoportuna e inadequada" a realização de prévias nos diretórios estaduais para a definição de candidatos a governador ou senador.

Os opositores das prévias avaliam que as disputas internas estaduais mostram divisão no partido e prejudicam a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a presidente. As prévias são previstas pelo estatuto do partido e o diretório nacional não pode proibi-las, mas o fato de terem sido consideradas "inoportunas" praticamente desautoriza os Estados a fazê-las. Ignorando a direção nacional, Magela e Agnelo querem convencer os militantes de que são a melhor opção contra o que chamam de "turma do Arruda", mas vão ter de ir além: esclarecer acusações de que tiveram acesso aos vídeos que flagraram Arruda recebendo dinheiro de suposta propina, antes de estourar o escândalo. A imagem foi divulgada em primeira mão pelo iG .

Hoje diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agnelo se reuniu com Durval Barbosa, à época secretario de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal. Ele confirma ter visto os vídeos, mas garante não ter ficado com cópias. "Por isso" - justifica - "não tomei nenhuma providencia. Ia fazer papel de idiota se fizesse uma denúncia. Percebi que era grave, mas vi apenas uma edição dos vídeos".

Mas agora Magela também é acusado de saber das fitas. O clima esquentou durante debate antes das prévias quando o ex-deputado distrital Chico Floresta, pró-Agnelo, disse que Magela tinha conhecimentos do vídeos que derrubaram Arruda antes de sua divulgação. A novidade caiu como uma bomba na torcida do deputado federal.

Isso é um absurdo, não existe. Que eu sabia que coisa nenhuma. Eu nunca vi essas fitas e, se eu tivesse visto, a primeira coisa que eu faria era levar para o partido, atacou Magela. 

Agnelo acusa integrantes do próprio partido de plantar denúncias contra ele na imprensa para prejudicar a sua candidatura.No PT, há quem confirme que Agnelo esteja sendo vítima de fogo amigo e mais: prometem munição contra o ex-ministro ao levantar suspeitas envolvendo a sua atuação na época em que integrava o governo Lula. Apontam, por exemplo, suposta investigação de desvios no carro-chefe do PCdoB no ministério do Esporte, o programa Segundo Tempo.

Na semana passada, a revista Época publicou reportagens mostrando que ele teve aumento de patrimônio acima da renda e invadiu área pública. Agnelo Queiroz disse que foi um ataque baixo e chamou as acusações de jogo sujo.

Magela negou que seja o responsável pela sucessão de denúncias contra Agnelo: Estou sendo acusado de plantar notícias. Então, desafio o jornalista a quebrar o sigilo da fonte se fui eu quem passou essas informações.

Tumulto e promessas

O debate no começo da semana foi uma prévia do tumulto que deverá marcar a votação no domingo. Por diversas vezes, seguranças do evento foram chamados para separar militantes que chegaram a trocar agressões físicas na plateia. O debate foi marcado por muita gritaria e xingamentoso que levou a discussão a ser interrompida em alguns momentos, até que os ânimos se acalmassem.

Apesar de ainda não ter sido escolhido, Magela já fez promessas de campanha. Disse que, se eleito, construir 40 mil unidades habitacionais e vai demitir todos os rorizistas (funcionários do ex-governador Joaqui Roriz) dos quadros do governo.

Em lados opostos, os militantes do partido só se abraçaram quando o locutor anunciou que Arruda havia perdido o mandato naquela noite, após decisão da Justiça.

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