Cúpula do DEM decide expulsar Paulo Octávio

Governador em exercício do DF assumiu após afastamento de José Roberto Arruda, que também foi obrigado a sair do partido

Tales Faria, iG Brasília |

    A cúpula nacional do partido Democratas já decidiu anunciar a expulsão do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, em reunião da Executiva na próxima quarta-feira.

    Antes de sua entrevista coletiva, na última quinta-feira, quando anunciou a disposição de continuar no governo, Paulo Octávio havia mandado um interlocutor saber do presidente do DEM, Rodrigo Maia, se seria afastado do partido. Maia mandou o seguinte recado: "Se ficar no governo, tem de sair do partido. Se sair do governo, podemos negociar sua permanência aqui."

    Procurado pelo iG para comentar a sucessão de denúncias contra membros de seu partido, o líder do Democratas no Senado, José Agripino foi claro: "Nenhum partido reagiu às denúncias como o Democratas, afastando imediatamente da legenda governadores e vice-governadores".

    A reportagem, então, perguntou: "Senador, o governador licenciado José Roberto Arruda realmente foi obrigado a sair do partido. Mas o vice, Paulo Octavio, ainda está filiado. O senhor está dizendo que ele será afastado?" E José Agripino respondeu:  "Exatamente. Ou ele sai, ou será expulso".

    Ex-líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO) já anunciou que está disposto a apresentar o pedido de expulsão na reunião da Executiva, assim como o senador Demóstenes Torres (GO).

    Procurado pelo iG , o líder na Câmara, Paulo Bornhausen, confirmou: "Quarta-feira liquidamos o assunto. Não tenho dúvida."

    Desgaste

    Mas Paulo Bornhausen faz questão de apontar o governo federal e o PT como artífices das denúncias não só no DF, como em São Paulo. "É evidente o uso político. O presidente Lula também obstrui as investigações do mensalão do PT quando protela indefinidamente suas respostas às perguntas que lhe foram enviadas pela Procuradoria da República. No caso das verbas eleitorais em São Paulo, houve o mesmo tipo de problema com a prestação de contas do PT e nada foi feito."

    O presidente do DEM, Rodrigo Maia, admite que episódios como o do DF, as enchentes e a condenação em primeira instância do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, atrapalham o partido. Mas faz ressalvas: "Não dá para comparar os casos de São Paulo com os de Brasília. Temos certeza absoluta de que a Justiça Eleitoral suspenderá a cassação de Kassab, porque ela já se manifestou sobre essa questão das verbas de campanha de 2006. Agora, no caso de Brasília, a reação imediata e dura do Democratas pode acabar nos ajudando.

    Quanto às enchentes, Rodrigo Maia cita um caso ocorrido com seu pai, Cesar Maia, quando prefeito-reeleito do Rio, em 1994: "A TV Globo chegou a colocar meu pai num helicóptero durante as enchentes do Rio, apontando-o como culpado. Lembro do meu pai me dizendo que estava politicamente liquidado. Mas ele fez o dever de casa e, no final, acabou elegendo seu sucessor."

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