Corregedoria do MP-DF nega demora em investigação

A Corregedoria do Ministério Público do Distrito Federal negou nesta quarta que esteja demorando nas investigações contra membros do órgão suspeitos de ligação com o esquema do mensalão do DEM. Em nota, a entidade afirmou que está em fase de diligências, em busca de algumas provas que dependem de perícia - as quais já foram devidamente providenciadas -, bem como a necessidade de realização de diligências para localização de testemunhas chave, que se encontram em local incerto e não sabido - que também já foram solicitadas.

Agência Estado |

No entanto, a corregedoria omite os nomes dos investigados. Não informa se o procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, faz parte dessa relação. Ele é acusado por Durval Barbosa - delator do esquema de corrupção - de receber R$ 1,6 milhão em troca de não incomodar o governo, avalizando, inclusive, contratos sem licitação.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta quarta revela que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) começou a interferir para acelerar investigações que podem atingir Bandarra. Na terça, em sessão do CNMP, o conselheiro Bruno Dantas apresentou requerimento para retirar das mãos da Corregedoria do MP o poder de investigar o procurador-geral do DF.

O CNMP instaurou sindicâncias em dezembro, mas só pode começar a apurar depois de a Corregedoria do MP concluir sua parte. Conselheiros consideram que o órgão do DF leva o caso em ritmo lento e a apuração pode não levar a lugar algum. Por isso, querem interferir. "O que nós estamos facultando é que o Leonardo Bandarra demonstre que essas acusações são levianas", afirmou Dantas.

Na nota divulgada nesta quarta, a corregedoria, comandada por Lenir Azevedo, informou que instaurou sindicância em 20 de janeiro para apurar as denúncias de Durval Barbosa. "Devido a natureza e a complexidade dos fatos, as apurações estão sendo feitas dentro do cronograma previsto e, em razão do caráter sigiloso - que envolve todas as apurações realizadas por este órgão correcional - não há permissivo legal, neste fase preliminar, para que haja ampla divulgação das apurações em andamento."

Autorização

O primeiro movimento de interferência do CNMP ocorreu na segunda-feira, quando o órgão de controle externo do MP concedeu liminar às procuradoras do DF Ruth Kicis Pereira e Suzana Vidal de Toledo Barros, autorizando acesso aos contratos sob suspeita. No dia 12 de março, o Conselho Superior do Ministério Público do DF, formado por 12 procuradores e presidido por Bandarra, havia vetado esse acesso. Até hoje, pelo menos sete empresas recebem R$ 66 milhões em contratos emergenciais na área de limpeza urbana no Distrito Federal.

    Leia tudo sobre: escândalo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG