Arruda reaparece em audiência sobre violação de painel

Vinte e quatro dias após ter sido solto, o ex-governador do DF José Roberto Arruda reapareceu num compromisso na Justiça Federal

iG São Paulo |

Vinte e quatro dias após ter sido solto, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda reapareceu hoje num compromisso na Justiça Federal, em Brasília. Mais magro, porém corado, Arruda falou sobre a acusação de que teria participado em 2000 da quebra ilegal do sigilo do painel de votação do Senado no processo de cassação do ex-senador Luiz Estevão. À imprensa, ele não quis falar sobre os recentes escândalos de corrupção no Distrito Federal, que o levaram à prisão.

Senador na época da quebra do sigilo do painel, Arruda disse que, na ocasião, estava preocupado com a segurança do sistema de votação porque temia uma eventual manipulação do resultado. Mas afirmou que não ordenou a quebra do sigilo. Para ele, o que é mais danoso à imagem do Senado é a manutenção das votações secretas. "Entendo que o verdadeiro dano à imagem de uma casa legislativa é esconder os votos dos representantes eleitos pela população."

Na audiência, Arruda afirmou que, na noite anterior à votação da cassação de Luiz Estevão, chamou em sua casa a diretora da Secretaria Especial de Informática (Prodasen), Regina Célia Peres Borges. Em nome do então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, teria falado sobre a preocupação em relação à segurança do sistema de votação na sessão do dia seguinte.

O ex-governador e ex-senador disse que perguntou a Regina se ela tinha confiança na segurança do sistema, mas ela teria afirmado que não conhecia e que a operação era terceirizada. Segundo Arruda, Regina teria se comprometido a tomar providências para que não houvesse irregularidades na captação dos votos.

Arruda afirma que não pediu a Regina a lista de votação. No entanto, segundo ele, no meio da tarde do dia seguinte recebeu de seu chefe de gabinete um envelope encaminhado por Regina com a orientação para que fosse entregue a ACM.

Arruda disse que abriu o envelope e somente naquele momento teve conhecimento de que se tratava de uma possível lista da votação, com nomes identificados com sim ou não. Arruda disse que foi imediatamente ao gabinete de ACM, onde estavam outros senadores. Segundo ele, o parlamentar baiano teria feito comentários sobre o conteúdo de votos de alguns senadores. Depois da divulgação da quebra do sigilo, tanto ACM quanto Arruda renunciaram aos mandatos no Senado.

Convocação

Durante a audiência sobre uma ação de improbidade administrativa existente contra Arruda por causa da violação ao painel, o juiz Alexandre Vidigal de Oliveira, da 20ª Vara Federal de Brasília, reclamou que o ex-governador não respondeu às oito tentativas que foram feitas pelo Judiciário, desde 2006, para marcar a audiência.

Arruda disse que não sabia de nada e que já tinha sido inocentado num processo que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele contou que, ao ser informado sobre a audiência de hoje por seu advogado, interrompeu imediatamente uma viagem que fazia para o interior de Minas Gerais para visitar a mãe, que fez aniversário hoje. Ao sair da audiência, Arruda não quis dar entrevista.

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