iG obteve acesso a trechos do depoimento do ex-governador do DF em que Arruda tenta imputar ex-chefe do MP por apoio a secretário

Em depoimento à Justiça, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (Ex-DEM) tentou imputar ao ex-chefe do Ministério Público do DF Leonardo Bandarra a culpa por ter mantido Durval Barbosa como integrante do governo mesmo sabendo que o então secretário de Relações Institucionais sofria processos relacionados a casos de corrupção.

O iG obteve acesso a trechos do depoimento de Arruda em que ele descreve duas reuniões na casa de Bandarra. Numa delas, o deputado distrital Chico Leite (PT) teria pedido dinheiro a Arruda para sua pré-campanha ao Senado . Na outra, Arruda afirma ter conversado com Bandarra e sobre Durval.

“O assunto foi muito esquisito, porque transitou sobre todas as áreas do GDF, falou-se sobre o Dr. Durval, e eu inclusive perguntei pra eles: “Mas por quê? Há alguma coisa objetiva com ele?”, contou Arruda. Presidente da Codeplan no governo Joaquim Roriz (1999-2006), Durval foi mantido no governo no cargo de Secretário de Relações Institucionais.

Na versão de Arruda, Durval ficou no governo porque o irmão dele, Milton Barbosa, era deputado distrital. “O irmão dele era deputado, graças a Deus perdeu a eleição agora. Ou seja, precisava do voto do irmão. Depois eu fiquei sabendo que além do irmão, ele ( Durval ) tinha outros votos na Câmara”, disse Arruda, de acordo com trecho do depoimento.

Arruda ainda disse que ficou surpreso ao descobrir que Durval, que antes da Operação Caixa de Pandora já respondia a processos na Justiça, tinha poder junto a membros do Ministério Público. “Eu não sabia é que ele tinha ramificações de poder em outros poderes, como depois acabou ficando claro”, diz trecho de seu depoimento.

Eu não sabia é que Durval tinha ramificações de poder em outros poderes.

O ex-governador afirmou que, durante a conversa na casa de Bandarra, questionou. “'Mas, e aí? O que eu vou... já que vocês estão me fazendo tantas perguntas, o que vocês me aconselham? Demito? ‘Não, não, deixa do jeito que pra gente poder avaliar e tudo’”, disse.

O iG não conseguiu contato com o ex-chefe do Ministério Público do DF apesar dos recados deixados com seus advogados. Ele é acusado de cobrar R$ 1,6 milhão de Durval Barbosa, delator do esquema. Em troca, o então procurador-geral tinha de blindar o governo contra investigações e fornecer informações privilegiadas.

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