Arruda completa seis dias preso na Polícia Federal

BRASÍLIA - O governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), completa nesta quarta-feira seis dias preso no Instituto Nacional de Criminalística (INC), da superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

iG São Paulo com Agência Brasil |

AE
Arruda olha pela persiana
da sala onde está preso

Nesta quarta-feira, Arruda recebeu a visita da mulher, Flávia Arruda, com quem ficou cerca de 40 minutos. A expectativa é de que ainda nesta quarta-feira Arruda receba o governador em exercício, Paulo Octávio .

O governador afastado foi homenageado na terça-feira por um grupo que usava um megafone . Ao ouvir as cantorias e gritos de apoio e solidariedade, Arruda abriu uma fresta da persiana para tentar ver os amigos em pelo menos dois momentos.

Desde domingo, Arruda tem direito a banho de sol diário de até 15 minutos. O governador licenciado está preso em uma sala, sem grades, com uma cama de solteiro e banheiro com chuveiro de água quente.

A televisão que ficava na sala foi retirada, e o governador não tem acesso à internet nem ao telefone, mas seus parentes e advogados podem levar jornais e revistas. As três refeições diárias também são trazidas por parentes.

Defesa

O advogado Thiago Bouza, que visitou Arruda na tarde de terça-feira, afirmou que, na conversa com o governador, tratou da estratégia de defesa de Arruda, que deve ser articulada pelos advogados a partir de quarta-feira. Ele começa a demonstrar preocupação com os novos fatos", disse. A mais nova denúncia é de que Arruda teria usado a Polícia Civil para espionar o Ministério Público do Distrito Federal, onde teve início a investigação sobre o suposto esquema de corrupção em seu governo.

Bouza relatou ainda que Arruda tem conseguido descansar e que sua aparência tem melhorado. Ele está melhor a cada dia, disse. Além disso, Bouza queria certificar-se de que os direitos do governador estão sendo respeitados na prisão. Segundo ele, Arruda não apresentou nenhuma reclamação a repeito do tratamento na PF.

Os advogados de Arruda negaram seu envolvimento no pagamento de uma suposta propina ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra. E disseram que o bilhete entregue por Sombra à Polícia Federal, que mostraria uma tentativa de Arruda de subornar o jornalista, continha apenas anotações pessoais.

"Aquilo não se trata de um bilhete. É um papel rascunhado", afirmou José Gerardo Grossi, um dos advogados de Arruda. O papel, de acordo com a defesa do governador, teria sido retirado indevidademente da mesa de trabalho de Arruda. "Ele deixa à mesa uma profusão de papeis. Papéis que são anotações, que não são bilhetes, não têm destinatários e não têm assinatura. O uso ilegal, o desvio de um papel reservado para uso de um terceiro será cobrado", completou o outro advogado, Nélio Machado.

A defesa de Arruda enfatizou que Antônio Bento da Silva, o servidor público preso pela PF ao entregar os R$ 200 mil da suposta propina, trabalhava para Edson no jornal 'O Distrital'. Em petição protocolada hoje no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e destinada ao relator do caso, ministro Fernando Gonçalves, Arruda diz que os dois eram "comparsas".

"O caso é intrigante e a verdade está muito longe da fábula arquitetada pelo sedizente jornalista Sombra, ligado umbilicalmente ao também profissional de imprensa, Antonio Bento, não sendo de se descartar que a prática de ambos ostentasse possível coloração que não carece de explicitação por expressar o mau jornalismo, contaminado e viciado por propósitos desataviados do dever de informar, com lealdade e correção", afirmaram Arruda e os advogados no documento encaminhado ao STJ.

Prisão

A prisão de Arruda foi decretada pelo Superior Tribunal de justiça por tentativa de suborno a uma testemunha de corrupção contra o seu governo. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu intervenção federal no DF sob o argumento de que toda a linha sucessória do governo local está sob suspeita de envolvimento com um esquema de corrupção.

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