Aliado de Paulo Octavio e Arruda, Wilson Lima se diz pronto para governar Brasília e ataca intervenção federal

Deputado defende sua permanência no cargo e diz haver um sentimento de desilusão na população do Distrito Federal

Fred Raposo, iG Brasília |

O deputado Wilson Lima (PR) divulgou há pouco uma nota em que afirma assumir interinamente o governo do Distrito Federal "no momento mais delicado de nossa ainda curta história política".

Na nota, Lima afirma que há um sentimento de desilusão na população do Distrito Federal (DF). No documento, o governador interino fez questão de criticar a hipótese de intervenção federal no DF, defendendo sua permanência no cargo. "Isso equivale a cassar a soberania do povo brasiliense, soberania conquistada no bojo da redemocratização do nosso país", afirmou. 

Lima não compareceu à sessão plenária da Câmara Legislativa em que a carta de renúncia do ex vice-governador Paulo Octávio foi lida. Ele está trancado em seu gabinete.

Na nota, o governador interino disse que assumirá o cargo com "serenidade, humildade e muita reflexão" e promete não fazer "mudanças bruscas" no governo. "O compromisso que posso assumir, ao aceitar tão árdua missão, é com a normalidade democrática. E de não permitir a paralisia do governo, para que as obras e ações sociais sejam levadas até o fim, não piorando ainda mais as coisas para o povo desta cidade", afirma o texto.

Wilson Lima, 56 anos, além de aliado do governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido), também foi parceiro do ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Ele assume o governo do Distrito Federal (GDF) porque é o próximo na linha de sucessão.

Foi eleito presidente da Câmara Legislativa no início do mês, por 15 votos a sete, superando o deputado Cabo Patrício (PT). Antes, ocupou o cargo de primeiro secretário da Casa.

Terceiro na linha de sucessão, Wilson Lima substitui o deputado Leonardo Prudente (sem partido), que renunciou ao cargo no fim de janeiro após as denúncias de envolvimento em suposto esquema de corrupção do Governo do Distrito Federal (GDF). Prudente foi filmado guardando dinheiro na meia.

Na última quinta-feira, quando ouviu a notícia de que Paulo Octávio renunciaria ao governo do DF, Wilson Lima deu uma desastrosa entrevista ao jornal Correio Braziliense. Posou de governador e enumerou planos para o governo, sem ter a certeza de que o assumiria. Falou em formar um governo de coalizão, dar "uma nova cara ao GDF" e até admitiu já ter tido conversas com o Tribunal de Contas para tomar decisões como governador.

Empresário do ramo de supermercados, Lima está em seu terceiro mandato de deputado distrital. Foi eleito pela primeira vez em 1998. Retornou em 2004 como suplente, quando passou a atuar como corregedor da Câmara. Em 2006, foi reeleito com 8.983 votos.

Goiano da cidade de Ceres, onde passou a infância, mudou-se aos 15 anos para Gama, cidade satélite de Brasília, com mais três irmãos. De acordo seu site pessoal, Lima foi seminarista, frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista, cobrador de ônibus e vendedor de picolé.

Segundo o site, passou a trabalhar no negócio da família, a rede de supermercados Organizações Lima, com filiais em três cidades satélites da capital. Também presidiu a Associação dos Supermercados de Brasília e o Sindicato dos Supermercados.

No auge da crise do atual governo, Lima admitiu ter conversado com Arruda. Nega que sua eleição para a presidência da Câmara tenha sofrido influência do Executivo - a base governista tem maioria na Casa. É responsável por conduzir os pedidos de impeachment que chegam à Câmara.

Lima ocupou cargo de segundo escalão no governo de Joaquim Roriz (PSC), em 2002, quando Arruda e Roriz ainda estavam do mesmo lado: foi subsecretário de Alimentação e Promoção Social da Secretaria de Estado de Solidariedade. Passou pelo extinto PSD, pelo PTB, pelo PMDB e pelo Prona-DF.

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