Lula fala ao iG sobre seus piores momentos

Leia a transcrição do vídeo em que o presidente relembra a crise do mensalão

Eduardo Oinegue, Luciano Suassuna e Tales Faria |

"Eu troquei, na verdade eu arrisquei todo o meu capital político, para tentar fazer aquele ajuste fiscal para poder dar fôlego e chegar aonde nós chegamos"

iG - O senhor acha que isso aí foi mais importante, ficou como uma marca maior para o senhor do que toda a crise do mensalão?

"Não, veja. Do ponto de vista das relações das políticas do governo. Agora, do ponto de vista da política política, o período do mensalão foi o pior possível. Eu quero estar vivo para ver o desfecho de tudo isso. Porque tem coisa um pouco esquisita que eu não consigo entender. Talvez minha sabedoria não consiga entender. O acusador do mensalão, ele foi cassado por falta de prova. O texto da cassação dele da Câmara dos Deputados diz que o cidadão fundamental ( para o caso ) ia ser cassado, por falta de decoro parlamentar porque não provou as acusações que fez. E o processo continuou como se nada tivesse acontecido. Ou seja, se criou um clima político no Brasil, eu diria, muito temeroso e muito desconfortável.

Eu um dia comecei a meditar e eu disse o seguinte: 'Olha, o Getúlio Vargas foi muito forte entre 34 e 45, mas não aguentou quatro anos de democracia e se matou. O João Goulart, o Jânio Quadros que era representante de um setor atrasado da política brasileira, foi lá, presidente da República. Com seis meses, puxou o carro o cargo. O João Goulart foi convidado e falou: 'Olha, comigo não vão fazer isso'. Vão ter que me vencer, na rua.

Vamos ser francos, os setores mais conservadores do Congresso Nacional pensaram em chegar a impeachment. Não chegaram porque não tiveram coragem. Ou porque acharam que era o meu fim. O que ficou na verdade é que quando em julho ou agosto de 2005 eu dei sinal de que, veja, foi a primeira vez que eu disse que ia para a rua foi no lançamento do plano Safra que eu fui, não sei se no mês de julho, que eu fui em Garanhus lançar o plano Safra. A partir dali eu reuni a Dilma, o Marcio Thomaz Bastos e disse, olha, vocês vão cuidando das coisas aqui que eu vou fazer política agora aonde eu sei navegar bem.

Então eu trouxe aqui os movimentos sociais, me reuni com todos eles, mas foi um momento de muitas verdades, de muitas mentiras, de muitas insinuações, porque tudo isso termina na justiça, que é o bom da democracia. A gente só dá valor à democracia quando a gente está sendo atacado. Quando a gente está sendo atacado, como é bom ter justiça. Agora, quando é a gente que está no ataque, a gente fala: “isso tem que acabar agora”.

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