Lula fala ao iG sobre Serra e pesquisas eleitorais

Leia a transcrição do vídeo em que o presidente diz que José Serra enfrenta as mesmas dificuldades que ele próprio viveu

Eduardo Oinegue, Luciano Suassuna e Tales Faria |

"O povo queria mudança e ele ( Serra ) significava continuidade. E ele é candidato em 2010 como continuidade e ele significa mudança. É exatamente o que aconteceu comigo. Eu lembro o que era dificuldade em fazer discurso em 1994. Sabe, o Real bombando e eu tentando me esgoelar contra o Real. Eu fiquei muito tempo com a imagem de uma propaganda de um pãozinho que aparecia caído num prato assim, que o preço era nove centavos. Era mortal aquela propaganda. É muito difícil você fazer oposição.

Nós já tínhamos cometido um erro no movimento sindical, um pouco antes até de eu ser candidato, que foi a URV, que foi o que deu a base para fazer o Real. Aquilo foi o aperfeiçoamento da fase do Plano Cruzado. Ou seja, a mesma equipe que tinha feito o Cruzado, aperfeiçoou com a URV, para poder introduzir o Real.

E, veja, o candidato da oposição tem todo o discurso da oposição, se for fazer o discurso da situação, não precisa ser candidato. E em 1998, eu fui para a campanha já sabendo qual era o discurso do Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, isso a gente discutiu muito tempo antes. Ele vai dizer: 'Quem estabilizou a economia, agora vai criar empregos'. Sabe, esse era o discurso da campanha, e era a única coisa que ele poderia falar, e eu tinha que falar contra. Bem, eu acho que o Serra está vivendo esse drama. Ou seja, nós temos de nos conformar e esperar outra oportunidade.

Eu tive paciência de esperar. Eu tinha menos idade do que o Serra tem hoje. Então, é duro. Olha, posso dizer a vocês por experiência própria, é duro, é duro quando você vai dar uma entrevista que o cara pergunta pra você: 'E as pesquisas?'. E você está lá embaixo, ganhou três pontos. E esse negócio de falar que não acredita em pesquisa, é só quando a gente está por baixo.

Em 1982, eu era candidato a governador, o Estadão publica uma pesquisa, faltando uns três ou quatro dias para as eleições: Montoro não sei quanto, Reinaldo de Barros não sei quanto, Jânio não sei quanto, Lula 10%. Eu tinha feito um comício no Pacaembu, que eu saí de lá com a convicção que ia ganhar as eleições. Sabe, é uma coisa tão engraçada, porque essa imprensa burguesa, porque essa imprensa, mas o fato é que depois das eleições eu tinha exatamente os 10%. A partir dali, eu comecei a acreditar num certo critério científico, numa certa ... muita importância pra pesquisa."

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