Lula fala ao iG sobre ser popular e ser populista

Leia a transcrição do vídeo em que o presidente conta que é popular porque gosta de povo, não só em época de eleição

Eduardo Oinegue, Luciano Suassuna e Tales Faria |

"A primeira coisa que você tem que ter na relação com o povo, é ser muito verdadeiro com o povo. Normalmente a classe política, ela adora ir para o meio do povo quando ela está bem na pesquisa. E ela tem muito medo do povo quando ela está mal na pesquisa. Quando você é candidato, você adora andar em carro aberto dando a mão para todo mundo. Quando você se elege você é doido para andar num carro blindando sem ninguém te ver.

Sabe, eu estabeleci uma relação com o povo que era a única que eu sabia fazer e a única que é melhor. O mais certo com o povo é ser sincero. É você ter coragem de dizer não quando tem que dizer não, dizer sim quando precisa dizer sim. Fazer um esforço necessário para atender as pessoas. Estabelecer uma relação real. Uma relação de parceria que ele se sinta, a coisa que me dá mais prazer, a coisa que me dá mais prazer é que o grande legado que eu vou deixar no País é que na primeira vez, não sei se no Brasil ou se em vários países do mundo, os trabalhadores sentem que têm um igual a eles no poder.

Eles não fazem distinção. Aliás, nem me chamam de presidente. Nem me chamam de Excelência. Vou para São Bernardo e me chamam de baiano. Me chamam de Lula. Depois de tanto para ser presidente e ser chamado de Excelência, sabe? E eu acho isso maravilhoso. Eu acho, sabe, eles se sentem o próprio. Eles se sentem o cara. É isso que eu acho que é legal. Eu acho que isso é conversar com o povo. E Deus quando colocou a gente com duas orelhas é para a gente ouvir mais do que falar.

E para mim o aplauso tem a mesma importância que a vaia. O cara vaia porque não gosta, o cara aplaude porque gosta. De vez em quando eu acho uma loucura um político ficar brigando com quem está vaiando. O cara dedica o discurso dele a quem está vaiando, a vaia só aumenta. Ou seja, você tem que falar o que você tem que falar acreditando que você vai convencer as pessoas. Eu nasci assim, aprendi a fazer sindicalismo assim, construí o PT assim, exerço a Presidência assim, quero morrer assim. Sabe, sendo o mais verdadeiro possível na minha relação humana. Sabe, eu gosto de pegar no braço das pessoas, tem gente que acha que eu quebro muito protocolo. Sabe, uma vez eu já cheguei a dar tapinha na cabeça de pessoal que caiu a peruca. 'Presidente, não faça mais isso'. Paciência, vai lá pega e implementa.

Primeiro, o populista não tem uma relação como a que eu tenho com o povo. O populismo é um ato de fazer política, de propostas, de cima para baixo, sem nenhuma relação orgânica como eu tenho com a sociedade. Sinceramente, eu acho que a pessoa que fala isso não conhece nem de populismo e de popular. A pessoa saber o que é uma coisa populista, populista é uma coisa fictícia. O populismo é uma coisa fictícia, você faz uma pesquisa e fica inventando proposta de cima para baixo, eu não faço isso. A minha relação é direta"

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