Lula fala ao iG sobre a revolução da internet

Leia transcrição do vídeo em que o presidente fala da liberdade de imprensa e diz que jornal tem "gosto de pão velho"

Eduardo Oinegue, Luciano Suassuna e Tales Faria |

"Um dia quando vocês não tiverem o que fazer ou estiverem de férias, vocês peguem muitas vezes a forma desrespeitosa com que trataram a instituição Presidência da República. Peguem algumas capas de revista, peguem algumas coisas que, sabe, você aí foge da liberdade de imprensa e anda na banalização da democracia.

E eu nunca reclamei. Nunca reclamei porque o meu objetivo não era ficar chorando. Eu não sou de chorar, não sou de reclamar. Se eu dependesse de coisas favoráveis, eu não teria sido, não teria sido eleito presidente do sindicato, não teria sido eleito presidente do PT, não teria sido eleito presidente da República, não teria sido reeleito e não estaria agora como 80% de aprovação. Todos vocês jornalistas sabem que vocês podem escrever o que vocês quiserem, publicar o que vocês quiserem, que não haverá a menor interferência do governo.

No meu governo a gente aprendeu que o juiz é o eleitor, é o telespectador e é o ouvinte. E agora o internauta. Esse é o juiz. E a grande imprensa ainda não aprendeu a lição. Ela tem que hoje, hoje, 68 milhões de brasileiros acessam a internet, onde a informação é mais rápida e ela não aparece com gosto de pão velho, que a imprensa tradicional. Ou seja, aconteceu uma coisa nove horas da manhã, você vai comprar um jornal e ler amanhã nove horas da manhã. Não. A internet é pão pão queijo queijo.

Falou, está lá no dia e na hora, todo mundo vendo, acompanhando. A maior vantagem é que eu acho que é importante, é a vantagem que é uma coisa interativa. O cidadão participa do processo. Ele participa. Quer dizer, eu ainda vou checar, mas o dado concreto é que eu acho uma revolução, que nenhum de nós tinha noção do que iria acontecer.

Se dependesse de algumas capas de jornais, eu nessas alturas do campeonato teria zero nas pesquisas. Ibope: Lula zero. Ruim e péssimo: noventa. Sabe, seria assim, mas não é. Por quê? Porque o povo tem outros instrumentos de comunicação. Eu tenho experiência, como eu sigo em casa, o que eles navegam nessa internet o dia inteiro, o que eles divergem, o que eles debatem política é algo que a gente nunca viu nesse país.

É preciso apenas os donos dos meios de comunicação compreenderem que algo está mudando nesse país e atentem para isso. Vocês já existem há dez anos, desde 2000. E vocês muitas vezes dão coisa na frente de tudo que é meio de comunicação.

Daqui a pouco a gente tem 100 milhões navegando, daqui a pouco a gente tem 120 milhões navegando. Queremos a contribuição de todo mundo no debate que nós vamos fazer sobre o marco regulatório de comunicação. Vocês sabem que não pode ficar do jeito que está porque nós estamos com um marco regulatório de 1962 quando não tinha TV digital, quando não tinha TV a cabo, quando não tinha internet, quando não tinha nada. Nós não podemos continuar com um marco regulatório de 62.

Os velhos padrões da televisão vão ficar cada vez mais cansativos. O velho padrão do jornal vai ter que se modernizar, as revistas semanais vivem um sufoco danado. Eu compreendo a dificuldade de se fazer uma revista semanal. Antigamente você tinha um jornal que superava ela todo dia, a televisão e o rádio todo dia. Mas agora você tem a internet que supera a todo minuto."

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