Lula fala ao iG sobre sua saída do governo

Leia a transcrição do vídeo em que o presidente conta que, em oito anos, nunca saiu para jantar num restaurante

Eduardo Oinegue, Luciano Suassuna e Tales Faria |

"O ritual de ser presidente é muito pesado. Ou seja, você tem um ajudante de ordem que diz o que você tem que fazer a cada hora. Você tem um chefe de cerimonial que escolhe a cadeira para você sentar. Você tem a equipe que prepara, é um negócio que você se sente sufocado. Tem vezes que tem tanta gente fazendo as coisas por você que dá vontade de gritar: 'Pelo amor de Deus gente, deixa eu respirar. Deixa eu fazer alguma coisa'."

iG - Então o senhor quer se livrar da agitação?

O que eu quero me livrar mais é da máquina burocrática que toma conta do presidente.

iG - É  incontornável?

Eu não sei, veja. Eu vou terminar o meu mandato, eu nunca fui num restaurante jantar. Eu nunca fui num aniversário, eu nunca fui numa janta, eu nunca fui num casamento. A não ser de um sobrinho meu, num bairro lá em São Bernardo do Campo, sem ninguém saber. Porque eu resolvi fazer do meu mandato um sacerdócio. Eu briguei muito para chegar aqui, eu tenho que me dedicar de corpo e alma ao que eu tenho que fazer aqui.

Noventa e nove por cento do meu tempo com a dona Marisa é eu sair daqui dez horas da noite e ir lá para casa. É passar sábado e domingo sozinho. Eu não convido nem um ministro porque se eu convidar um, o outro vai ficar com ciúmes então eu não convido ninguém.

Mas eu vou gostar de me livrar disso sim. Aqui é 'Nove horas isso, dez horas isso, onze horas isso'. Não tem um minuto que eu falo: 'Deixa esse minuto para mim, pelo amor de Deus. As pessoas não se lembram que você tem que ir no banheiro, isso elas não se lembram. Se vocês fizerem uma agenda comigo vocês vão perceber que não é fácil."

iG - Teve um Presidente que disse: 'Me esqueça'. Teve outro que disse, 'Não me deixem só'.

"Eu quero ser lembrado pelas coisas boas que eu fiz. E quero ser lembrado pelas coisas que eu não fiz. Eu quero, eu vou continuar sendo um político, vou continuar andando pelo Brasil, quero entrar num bar e tomar uma cerveja com meus companheiros. Eu quero tentar voltar e levar uma vida normal. Não sei se é possível, levar uma vida sem entourage."

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