Federais são as melhores públicas no Enem

Escolas mantidas pelo governo federal representam minoria da amostra, mas 82% delas estão entre as melhores em 2009

Priscilla Borges, iG Brasília | 19/07/2010 00:00

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As escolas federais são minoria em quantidade na rede pública de ensino médio. Existem 25.923 estabelecimentos que oferecem a modalidade no Brasil, mas apenas 217 (0,8%) são mantidas pelo governo federal. A diferença de desempenho entre elas e os colégios que estão sob a responsabilidade de governos estaduais e municipais, no entanto, é grande. (Veja no fim da reportagem o ranking completo das escolas)

Dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, liberados para consulta nesta segunda, revelam que as federais são as que obtiveram melhor desempenho na avaliação entre as escolas da rede pública. Dos 20 colégios primeiros do ranking elaborados a partir das médias totais mais altas – que consideram as notas das provas objetivas e da redação –, 18 são federais.

Outro dado comprova, mais uma vez, a superioridade das federais no exame. O ranking elaborado pelo iG considerou as médias do ensino médio regular das escolas em que dez alunos fizeram o Enem. Com menos participantes, o Ministério da Educação não divulga essas médias. A lista das melhores também não inclui escolas com menos de dez estudantes matriculados na etapa, a fim de que a nota seja mais representativa. Com isso, 164 federais estão na amostra de 13.331 colégios.

Do total, 82% estão entre as 1 mil escolas com melhores notas no Enem 2009. Além das escolas de aplicação de universidades, institutos federais de educação e tecnologia e colégios militares se destacam no ranking. O primeiro da lista, com nota 734,66, é o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Coluni. A escola, que havia ficado em terceiro lugar na classificação geral em 2008, caiu para a sétima posição.

Para Angela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das razões para o grande destaque da rede federal é a diferenciação dos currículos (muitos com educação técnica integrada ao ensino médio regular), as turmas reduzidas e a qualificação dos professores. Ela lembra que, além do maior investimento em infraestrutura, os colégios federais estimulam mais a capacitação do professor. “Isso sem falar na pré-seleção que essas escolas fazem dos estudantes que vão receber”, diz.

A especialista lembra que, na rede estadual e municipal, um público com características muito mais diversas é atendido pelas redes. Muitos deles não têm interesse em cursar o ensino superior e, portanto, não se sentem atraídos pelo Enem. A rede estadual lidera, por sua vez, a lista oposta: a das piores em desempenho no exame.

Na lista das 1 mil escolas com notas mais baixas, a maioria das escolas é estadual. Há 979 colégios de todos os estados, exceto o Distrito Federal, nesse grupo. As médias variam de 249,25 a 461,45. Vale lembrar que 500 é média dos estudantes concluintes do ensino médio, segundo o Inep. Além das estaduais, entre as piores, há 18 escolas municipais e apenas três privadas (duas são rurais).

Novos rumos
Para Callegari, é importante que a sociedade veja os resultados do Enem com cuidado. “O Enem deve ser visto como uma ferramenta indicativa de traços de qualidade e não o todo. O ensino médio está em crise nas redes pública e privada”, comenta. Na opinião do conselheiro, as escolas estão mais preocupadas em garantir aprovação no vestibular do que oferecer reflexões mais críticas sobre a sociedade a seus alunos, papel que também deve ser exercido pela escola.

“Temos de lembrar que os resultados não revelam tudo o que se espera de uma boa escola. Não significa que a melhor escola do ranking deva ser tomada como meta de qualidade a ser alcançada”, enfatiza. Callegari lembra que o CNE está discutindo novas diretrizes para o ensino médio. Para ele, a etapa final da educação básica precisa passar por profundas mudanças de estrutura e funcionamento.

Ele sugere, por exemplo, que a prioridade da ampliação da educação integral tem de ser no ensino médio. “Não podemos mais, em pleno século XXI, discutir três horas de aula durante três anos para esses estudantes. No mundo inteiro, eles têm muito mais tempo de aula e ainda enfrentam problemas. Como imaginar melhorias na qualidade com esse formato da etapa?”, questiona.

Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.

Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxas de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foi inferior a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.

Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação serão liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total – um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem –, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.

As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação. O desempenho de todas as escolas, inclusive as que não obtiveram médias globais podem ser conferidas na tabela abaixo.

OBS: O ranking do Enem 2009, divulgado em 19 de julho, foi alterado posteriormente por decisão da Justiça, que revisou as notas e incluiu o Colégio Integrado Objetivo na lista, com a segunda melhor média geral. Esta reportagem leva em conta os dados da primeira divulgação do ranking, mas o mapa e a ferramenta abaixo foram atualizados.

ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).

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