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Palin, a salvadora que se transformou em peso para McCain

04/11 - 01:56 - Gregório Russo, repórter do Último Segundo

Envolvida em um processo de abuso de poder e dona de um polêmico guarda-roupa, que custou aproximadamente US$ 150 mil, a candidata republicana à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, foi, sem dúvida, um personagem marcante destas eleições.

 

Para alguns especialistas políticos, em um primeiro momento, a escolha de Palin, governadora do Alasca, foi um avanço na campanha do republicano John McCain. “A princípio a indicação dela foi muito positiva. Ela é uma mulher jovem, fala firme e defende os ideais republicanos”, disse Vera Chaia, professora de Ciências Políticas da Pontifícia Universidade Católica (PUC). 
 
Porém, segundo a professora, Palin mostrou durante a campanha um lado que todos, inclusive seus partidários, desconheciam. “Ela é vingativa e tem um posicionamento político diferente do de McCain”, disse. “Os republicanos deram um tiro pela culatra ao escolhê-la”, completou.
 
O ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Antônio Barbosa, acredita que a escolha de Palin foi equivocada desde o início. “A escolha dela foi ruim. Ela defende ideais muito mais pró-Bush, que é de extrema direta e ultra-conservador, do que propriamente de McCain, que quer desvencilhar sua imagem do atual presidente americano”, disse.  “Ela atrapalhou mais do que ajudado”, completou.

AP

Palin: escolha da vice pode ter prejudicado a acampanha republicana

Ainda para o ex-embaixador, o que faltou principalmente para Palin foi experiência política em nível federal. “Ela foi prefeita e é governadora de um Estado marginal nos Estados Unidos, não tem experiência e nem maturidade política para encarar uma eleição de nível nacional”, disparou.
 
Já para a professora Vera, as contradições, inclusive pessoais, que Palin mostrou durante a campanha foram determinantes para que a imagem dela, e consequentemente de McCain, fossem prejudicadas. “Ela defende a virgindade e sua filha aparece grávida antes de casar. Esse é um exemplo bobo pra nós, mas para os eleitores americanos, que são muito diferentes, representa muita coisa. Muitos pensariam: ‘se ela não consegue controlar a filha, como vai ajudar a controlar um país?’”, indagou.
 
Interferência na campanha
 

AP

Palin e McCain durante comício

Apesar das críticas que fizeram a candidata à vice-presidência, os professores acreditam que ela não poderá ser responsabilizada caso McCain não vença as eleições.
 
“O que mais prejudicou a campanha republicana desde o início foi a atual crise financeira que assola os Estados Unidos e o mundo como um todo. O eleitorado americano criou uma resistência à Palin, mas não acredito que esse tenha sido o fator determinante, e sim, como disse, a economia que é associada ao Partido Republicano”, disse Vera.
 
Na mesma linha, Rubens afirmou que "o Partido Republicano está com a imagem desgastada por causa da crise financeira. Por conseqüência, os eleitores associam a imagem de Bush, teoricamente aquele que deixou o país afundar, à imagem de McCain e aos republicanos em geral. A Palin não tem influência nisso, qualquer outro candidato a vice sofreria com esse desgaste.”  
 
Perfil
 
Como a primeira mulher e a pessoa mais jovem a ser eleita a governadora do Alasca, Sarah Palin, de 44 anos, está acostumada a desafios. Ela foi eleita governadora do Estado em 2006 e, nos dois anos de sua gestão, foi responsável pela implementação de diversas reformas.

Ela também é conhecida por ser dura contra a corrupção, tendo liderado uma investigação a conduta ética de políticos republicanos enquanto trabalhava na Comissão de Conservação do Petróleo e Gás do Alasca, em 2003. Palin ainda defende posições conservadoras, sendo uma grande opositora do aborto e membro da National Rifle Association, organização que defende o direito dos americanos de portarem armas.

A governadora descreve a si mesma como "politicamente independente" e é considerada uma personalidade fora dos círculos políticos de Washington. Antes de ser eleita governadora, ela foi prefeita da cidade de Wasilla, que tem uma população de cerca de sete mil habitantes.
Nascida no Estado de Idaho, Palin se mudou para o Alasca com a família aos três meses de idade. Em 1984 ela foi coroada a Miss Wasilla e chegou a disputar o concurso de Miss Alasca. Formou-se na Universidade de Idaho em 1987, tendo estudado Jornalismo e Ciência Política.

Casada, Palin deu à luz seu quinto filho, portador de síndrome de Down, em abril. Outro filho está no Exército e deve ser transferido para o Iraque no próximo mês, segundo o site Politico.com.

Futuro do partido

O jornal The New York Times, uma das principais publicações americanas e mundiais afirmou que Palin, independentemente do que acontecer nessas eleições, será o futuro do Partido Republicano. A reportagem afirma ainda que a hoje candidata a vice pode se tornar a presidenciável republicana nas eleições de 2012, caso McCain não seja eleito no próximo dia 4 de novembro.

“Acredito que Palin pode ser considerada um grande nome no futuro dos republicanos. Ela é jovem, firme e tem o apoio da ala mais conservadora do partido. Além disso, com essas eleições ela se colocou a nível nacional, se tornou conhecida, coisa que não era antes”, disse Rubens.

“É claro que, para ser o nome forte de um partido que está decadente ela tem que melhorar muito. Não cometer os mesmos erros destas eleições, deixar de ser politicamente imatura e tornar suas propostas mais sólidas”, completou. “Ela vai se tornar uma das líderes dos republicanas em breve”, finalizou.
 

Perfil dos candidatos

 

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