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04/11 -
04:08
, atualizada às 06:13 05/11 -
Redação com agências internacionais
John McCain, o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, é um herói de guerra com aversão à autoridade e que gosta de correr riscos em sua vida pessoal e política. Estudante mediano, fã de esportes e senador temperamental, McCain não foi um candidato republicano convencional.
Apesar de não sair vencedor, em sua campanha ele mostrou credenciais de independência, em um ano em que o público parece cansado da hegemonia republicana e de oito anos de George W. Bush na Presidência.
| Getty Images |
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McCain é recebido por Richard |
Também não conta com grande simpatia por parte da direita religiosa. O desejo de ganhar essa comunidade fez, inclusive, com que escolhesse para vice em sua chapa Sarah Palin, governadora do Alasca.
McCain apostou em Palin, até então desconhecida e com muito pouca experiência política mas cuja oposição ao aborto e ao casamento homossexual agradou mais a base mais conservadora do partido.
A escolha de Palin evidenciou a afinidade de McCain pelos golpes de efeito, essas decisões radicais e súbitas do homem que não teme cometer equívocos, e sim não atuar ou fazer diferença.
McCain voltou a mostrar essa característica ao suspender sua campanha brevemente para viajar a Washington com o objetivo de negociar um pacote de resgate no valor de US$ 700 bilhões para reativar a economia.

McCain tem grande desenvoltura no "corpo a corpo" com eleitores / Getty Images
Em ambos os casos, cometeu erros de cálculo. Os elogios generalizados iniciais com relação a Palin se transformaram em críticas, após a candidata ter mostrado desconhecimento sobre o papel do vice-presidente americano, cargo que pretende ocupar. Em política econômica, os eleitores afirmaram nas pesquisas que confiavam mais em Obama que em McCain.
A principal proposta econômica do candidato republicano é manter as reduções tributárias promovidas pelo Governo Bush, contra as quais votou em um passado não muito distante, mas que começou a apoiar durante as primárias de seu partido para ganhá-las.
Não mudou, no entanto, sua posição em favor de uma presença militar contundente no Iraque. "Prefiro perder as eleições que perder a guerra", disse McCain, que disse que no Vietnã, os EUA perderam porque seus líderes não enviaram tropas suficientes. A participação de McCain nesse conflito foi um dos pontos de inflexão de sua vida.
Trajetória
O candidato nasceu em 1936 em uma base naval americana no Canal do Panamá, e como seu pai e seu avô estava destinado a ser marinheiro.
Esteve a ponto de ser expulso da Academia Naval de Annapolis, a mais prestigiosa do país, onde ganhou a reputação de playboy, irreverente e desalinhado.
Em 1967, um míssil derrubou seu bombardeiro no Vietnã. Teve de passar os seguintes cinco anos e meio em campos de prisioneiros, onde as torturas sofridas não acabaram com sua vontade de insultar seus guardiães até a exaustão.
McCain se negou a aceitar a libertação que lhe era oferecida pelo Governo vietnamita em 1968, devido à importância de seu pai almirante.

Foto tirada durante a Guerra do Vietnã, no momento em que McCain era resgatado e feito prisioneiro / Getty Images
Quando em 1973 voltou a pisar em seu país, com muletas, McCain encarava as seqüelas de seus ferimentos derivados da queda do avião, da falta de cuidados médicos e das surras. Hoje em dia não pode levantar os braços acima da cabeça.
Soube se adaptar bem ao campo profissional, com o cargo de chefe do departamento da Marinha no Congresso, mas na vida pessoal sua paixão pelas mulheres fez com que acumulasse um divórcio de sua esposa, que o havia esperado por todos os anos em que esteve no Vietnã.
Um mês depois se casou com sua atual companheira, Cindy, uma mulher rica e que é 17 anos mais nova que ele.
Em 1985 entrou no Senado, mas sua ascensão política sofreu um grave revés três anos depois, quando supostamente integrou um grupo de legisladores que supostamente fez lobby em favor de empresários.
O comitê que tratou do tema absolveu McCain, obsessivo com a preservação de sua honra. O republicano disse que essa denúncia era a pior coisa que havia "acontecido na vida", contando os anos passados nas masmorras vietnamitas.
Desde então, grande parte de seu trabalho como reformista no Senado veio de uma necessidade de se redimir perante a opinião pública.
Frases
"Eu peço ao governo chinês que liberte os prisioneiros políticos tibetanos, considerando os tibetanos que 'desapareceram' desde os protestos de março, e se empenhe em um diálogo significativo e uma autonomia genuína para o Tibete" -- julho de 2008, após encontro com Dalai Lama
"Os americanos estão muito frustrados, e têm todo o direito de estar. Nós perdemos muito de nosso mais precioso tesouro, que são as vidas americanas perdidas no Iraque" -- Fevereiro de 2007, ao anunciar a candidatura à presidência
"Essas sociedades contam-se entre as mais opressoras e estagnadas da Terra. E são controladas por ricas elites do petróleo que não durariam muito se seu próprio povo tivesse a chance de se manifestar" -- junho de 2008, ao criticar países do Oriente Médio
"Caso vocês tenham perdido, dias atrás a senadora Hillary Clintou tentou gastar US$ 1 milhão em um museu para o show de Woodstok. Agora, senhoras e senhoras, eu não estava lá. Tenho certeza que foi um evento cultural e 'farmacêutico'. Eu estava amarrado na época" -- Outubro de 2007, ao ironizar um projeto da senadora Hillary Clinton
"Obrigado pela pergunta, pirralho" -- Setembro de 2007, ao responder a um estudante se ele era muito velho para ser candidato
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