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04/11 -
01:03
, atualizada às 06:15 05/11 -
Redação com agências internacionais
Ao vencer as eleições desta terça-feira, o democrata Barack Obama, 47 anos, se tornou o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Com notável habilidade retórica e um discurso concentrado na palavra “mudança”, Obama se apresentou, durante a campanha, como a voz de uma nova geração.
Nascido em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, Obama é filho de Barack Obama Sr., um economista queniano educado em Harvard, e de Ann Dunham, nascida em Wichita, Kansas, Estado incrustado no coração dos EUA.
Os dois se conheceram quando estudavam na Universidade do Havaí, no fim da década de 50. Porém, com o divórcio de seus pais e o novo casamento de sua mãe, Obama deixou os Estados Unidos e foi morar com ela na Indonésia.
Durante o longo período que viveu no exterior, Obama diz ter aprendido a enxergar as extremas desigualdades do mundo. "Conscientizei-me das enormes diferenças de oportunidades que existem em muitos países. Soube quão pobres algumas pessoas podem ser, e percebi como a corrupção pode frustrar as oportunidades", afirmou.
Em sua biografia, Obama conta que voltou a morar no Havaí quando já era adolescente, época em que experimentou maconha e cocaína. Anos mais tarde, estudou Ciências Políticas na Universidade de Columbia e graduou-se em Direito em Harvard, onde foi o primeiro negro a ocupar o cargo de presidente da influente publicação “Harvard Law Review”.
Carreira política
| AP |
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| Obama foi o terceiro |
Depois de derrotar Blair Hull nas primárias democratas e o republicano Jack Ryan nas eleições gerais - com mais de 70% dos votos - , Obama se tornou o terceiro senador negro da história dos Estados Unidos. No Senado, mostrou-se um legislador habilidoso e capaz de trabalhar com os membros dos dois partidos mantendo firme seu perfil de liberal moderado.
Batizado por alguns como "a grande esperança branca", por encarnar o sonho de reconciliação num país com profundas divisões raciais, o senador ganhou relevância no panorama político americano durante a convenção nacional do Partido Democrata em Boston, em 2004.
"Não existem Estados Unidos negros e Estados Unidos brancos, Estados Unidos latinos e Estados Unidos asiáticos. Somos um único povo, todos jurando fidelidade à bandeira estrelada, todos defendendo os Estados Unidos da América", exclamou então, arrancando aplausos da multidão.
Ajudado por um carisma irresistível e um enorme sorriso, Obama ganhou uma popularidade digna de uma estrela do rock. Seus dois livros autobiográficos, "The Audacity of Hope" ("A audácia da esperança") e "Dreams from my father" ("Sonhos do meu pai") se transformaram em best-sellers nos EUA e em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Obama mora em Chicago com a mulher, Michaelle, e as filhas Malia, 10 anos, e Sasha, 7 anos.
Posições políticas
Obama baseou sua campanha à presidência dos EUA no "voto que ele não deu". Todos os seus rivais que estavam no Senado em 2002 votaram a favor da resolução que autorizava o presidente Bush a usar a força no Iraque. Na época, ele ainda era deputado, mas disse que, se estivesse no Congresso, teria votado contra.
"A invasão irracional do Iraque vai despertar os piores impulsos no mundo árabe e fortalecer a Al-Qaeda. Não me oponho a todas as guerras, somente às guerras burras", disse em 2002, na Assembléia Legislativa de Illinois. Ele defende a retirada gradual das tropas do Iraque e, quando já era senador, votou contra o aumento de tropas proposto por Bush.
Em seu plano de governo, o democrata afirma que vai mudar a política atual dos EUA sobre os problemas climáticos e instituir um "mercado de carbono" para reduzir as emissões dos EUA em 80% até 2050. Além disso, defende combustíveis alternativos e limitação de emissões em automóveis.

Carismático, Obama é tratado como "estrela do rock" por onde passa / Getty Images
Obama é mais cauteloso em suas posições liberais quando o assunto é imigração. Ele votou a favor da cerca que protege a fronteira americana com o México e apoiou o aumento de verbas para fiscalizar os imigrantes ilegais proposto por Bush.
Em questões morais e de saúde pública, Obama se mostra a favor do direito da mulher abortar e não se opõe a união civil entre homossexuais. Ele também pretende universalizar o serviço de assistência médica dos Estados Unidos.
Frases
"Cooperação entre nações não é uma escolha. É o único caminho. O caminho para garantir a segurança do nosso povo. Por isso, o maior perigo de todos é deixar que novos muros cresçam entre nós" -- 24 de julho de 2008, em discurso para mais de 200 mil pessoas em Berlim
"América, este é nosso momento. Este é o nosso tempo. Nosso tempo de virar a página das políticas do passado. Nosso tempo de trazer nova energia e novas idéias para os desafios que enfrentamos. Nossa página de oferecer uma nova direção a esse país que amamos" -- 3 de junho de 2008, no discurso que comemorava a vitória nas primárias democratas
"Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. (...) Trata-se de uma história que não fez de mim o mais convencional dos candidatos. Mas ela tornou parte de minha composição genética a idéia de que este país é mais que a soma de suas partes --a idéia de que, múltiplos, sejamos um só" -- 19 de março de 2008, em discurso sobre raça
"Chegou a hora de trazer as tropas para casa. Chegou o momento de admitir que não há quantidade de vidas americanas capaz de resolver o desacordo político que jaz no fundo da guerra civil de outro país" -- fevereiro de 2007, ao anunciar em Illinois que iria se candidatar à presidência
"Não existem Estados Unidos negros e Estados Unidos brancos, Estados Unidos latinos e Estados Unidos asiáticos. Somos um único povo, todos jurando fidelidade à bandeira estrelada, todos defendendo os Estados Unidos da América" -- agosto de 2004, na Convenção Democrata que oficializou a candidatura
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