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26/08 -
19:01
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EFE
DENVER - A Convenção Nacional Democrata celebra hoje o 88º aniversário do voto feminino nos Estados Unidos e lembra as grandes conquistas da mulher desde então e o longo caminho que ainda falta ser percorrido.
Participantes da convenção como a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, a governadora do Kansas, Kathleen Sebelius, e a própria Michelle Obama, mulher do candidato democrata Barack Obama e uma bem-sucedida advogada de Chicago, são testemunhos vivos dos avanços do papel das mulheres na política.
Entretanto, ninguém melhor para exemplificar a mistura de triunfos e desafios a serem vencidos que a senadora por Nova York, Hillary Clinton, a mulher que esteve mais perto de alcançar a Presidência dos EUA e que hoje concentra as atenções da convenção.
A proeza de Hillary deixou milhares de suas partidárias que viajaram para Denver com um sabor amargo na boca.
Margarita Ostolaza é uma das delegadas de Hillary por Porto Rico que não ficaram satisfeitas com "a medalha de prata" obtida pela senadora nas primárias, nas quais competiu e perdeu para Obama.
"No caso da mulher todo o tempo passado foi pior", disse à Agência Efe Ostolaza, que disse que a "campanha extremamente sexista contra Hillary Clinton" mostra os desafios que ainda devem ser vencidos.
Assim como muitas das participantes do evento dos democratas, a ex-senadora porto-riquenha identifica as batalhas de Hillary com as suas.
"Pertence a minha geração Y, como eu, lutou pelos direitos humanos, pelos direitos da mulher e os dos hispânicos", concluiu Ostolaza, para quem "esta é um convenção deprimida".
Lilliam Roberts, uma afro-americana nova-iorquina e com uma presença serena que dá a seus 80 anos um ar jovial, contempla a situação de um prisma diferente.
Sentada no espaço reservado aos delegados de Nova York, no Pepsi Center, Roberts relata a "enorme" importância deste aniversário.
"As mulheres agora são a maioria da população e há cada vez mais mulheres profissionais e envolvidas na política", declarou a partidária de Hillary que dará em novembro seu voto a Obama.
Para Roberts, a derrota de Hillary "não é negativa", mas um claro sinal da crescente presença feminina.
Já Chris Citron, uma advogada de 50 anos do Colorado que se descreve como "feminista" e partidária de Obama, lembra neste aniversário "os dois lados da moeda".
Na sua opinião, "o fato de já haver 16 senadoras de um total de 100, em comparação a apenas duas de alguns anos atrás, e o fato de Pelosi ser a primeira mulher que preside a Câmara de Representantes são sinais claros dos sucessos conseguidos".
"Porém, ainda resta muito pela frente, é necessário aprovar uma lei que garanta a igualdade de salários e conseguir uma maior representação feminina na política", afirmou.
Outro aniversário histórico, o centenário da última convenção dos democratas no Colorado, que aconteceu em 1908, ilustra o quanto mudaram os tempos.
A reunião de 1908 foi a primeira que contou com a participação de mulheres.
Ao contrário desta reunião, na qual há 2.226 delegadas, de um total de 4.438 delegados, a pequena comitiva de 1908 era formada por apenas dois representantes do gênero feminino: uma de Utah e outra do Colorado. Outras três se elegeram como suplentes.
Um artigo do jornal "The Rocky Mountain News" de 7 de julho de 1908 retrata a atmosfera do momento.
Uma das delegadas, Henry J. Hayward era uma "mórmon de Utah" a quem o jornalista perguntou se a possibilidade do sufrágio universal feminino interferiria nas tarefas próprias da condição feminina.
"De todas as idéias ridículas, a mais estúpida é a de que o sufrágio interfere com as tarefas da mulher como dona de casa e esposa", declarou a delegada.
"O interesse nos temas do momento dá vida à mulher e a faz esquecer de suas rotinas diárias de lavar os pratos, tirar o pó e varrer. Além disso, faz com que tenha temas comuns para conversar com seu marido", afirmou então Hayward.
A 19ª emenda da Constituição americana garantiu no dia 26 de agosto de 1920 o direito da mulher ao voto.
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