Sob crise econômica, escolha de Palin prejudica McCain

SAINT LOUIS - A 15 dias da eleição presidencial norte-americana, as questões econômicas continuam dominando a campanha, e o republicano John McCain voltou a ser criticado por ter escolhido Sarah Palin como candidata a vice.

Reuters |


Analistas conservadores, comediantes da TV e até o general da reserva Colin Powell, figura proeminente em vários governos republicanos, questionaram o bom-senso de McCain por ter colocado a obscura governadora do Alasca na sua chapa.

Palin - mãe de cinco filhos, ferrenha adversária do aborto - estimulou a base conservadora, que relutava em votar em McCain. Mas o eleitorado independente, crucial para vencer em Estados estratégicos, está indo em sentido contrário, questionando a capacidade dela para eventualmente substituir o senador de 72 anos.

Powell, que foi secretário de Estado no governo Bush, citou a confusa reação de McCain à crise financeira global e as dúvidas sobre Palin como razões para ter manifestado apoio ao democrata Barack Obama.

"Ela é uma mulher muito distinta, e tem de ser admirada, mas ao mesmo tempo, agora que tivemos uma chance de observá-la durante sete semanas, não acredito que esteja preparada para ser a presidente dos Estados Unidos, que é a função do vice-presidente", disse Powell à rede NBC. "Isso despertou na minha cabeça algumas questões quanto à avaliação que o senador McCain fez."

A influente analista republicana Peggy Noonan, que escrevia discursos para Ronald Reagan, disse não ver em Palin "as ferramentas, o equipamento, o conhecimento ou o embasamento filosófico que se espera, e pelo qual se torce, num detentor de alto cargo", segundo escreveu na semana passada no Wall Street Journal.

McCain, no entanto, a defende vigorosamente, e nos comícios ela é sempre recebida com entusiasmo. "Acho que ela está qualificada pelo simples modo como tem administrado o Alasca, por vê-la como mãe, administrando uma família", disse Nina Robinson, 46 anos, de Toledo, Ohio.

"Ela realmente fez algo, sabe, teve de administrar um grande orçamento, lidar com esse tipo de coisa", completou o marido dela, o carpinteiro Darryl, 46 anos.

Seus simpatizantes citam sua fibra e sua preocupação com a família como qualidades que vão além da experiência política, e dizem que quem a critica está alheio às preocupações do norte-americano médio.

Por outro lado, muitos questionam se sua experiência acumulada como prefeita de uma cidadezinha e em dois anos como governadora de um Estado pouco populoso, e sua falta de projeção internacional, lhe permitiriam enfrentar uma crise caso fosse presidente.

McCain foi novamente interrogado sobre as qualificações dela durante uma teleconferência com eleitores judeus, e no mesmo dia um jornalista da Fox News sugeriu diante do candidato que a escolha teria sido "um cálculo político frio" que deu errado.

"Quanto a ser um cálculo político frio, eu não poderia estar mais satisfeito. Ela é uma reformista. Ela é uma conservadora. Ela é a melhor coisa que poderia ter acontecido para a minha campanha e para a América", respondeu McCain.

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