Se raça fosse um problema, Obama não venceria primárias, diz professor

PITTSBURGH - Com o candidato Barack Obama à frente em todas as pesquisas, a campanha democrata teme que, na hora do voto, muitos americanos deixem de votar em Obama por ele ser negro. Isso já aconteceu na década de 80, quando o prefeito de Los Angeles Tom Bradley liderava as pesquisas para governador mas perdeu a disputa por não ter votos suficientes entres os subúrbios brancos da Califórnia.

Leandro Meireles Pinto, repórter do iG nos EUA |

"O efeito Bradley não deve acontecer em larga escala nesta eleição. Se raça fosse um problema, isso já teria sido demonstrado nas primárias", afirma John H. Stanfield , professor do Departamento de Estudos Afro-Americanos da Indiana University.

"Certamente haverá algo como o efeito Bradley no dia 4 de novembro. Afinal, estamos na América. Mas o país mudou muito desde os anos oitenta e isso não deve afetar diretamente a candidatura de Obama", diz Stanfield.

Segundo o professor, o fato de Obama ter vencido as primárias contra Hillary Clinton e continuar subindo nas pesquisa contra John McCain aponta que a questão racial foi deixada para trás para a maioria dos eleitores.

"O que importa para a maioria dos americanos, até para os brancos e negros com preconceitos raciais, é eleger alguem que se importe com o povo. As pesquisas mostram que as pessoas vão votar em Obama porque ele tem uma boa mensagem, liderança e estilo que seu oponente não tem", explica Stanfield.

Apesar das qualidades de Obama, Stanfield ressalta que ele "não deixa de ser um político". "Será necessário que o povo que o elegeu sempre o lembre disso por causa das pressões que ele vai sofrer em Washington como presidente e como primeiro negro a chegar ao cargo", alerta o professor.

O apoio de Powell

"Apesar de o endosso de Colin Powell estar sendo minimizado pela campanha republicana e pela mídia de extrema direita, ele certamente deixa uma impressão positiva na esfera pública. Powell ainda é uma figura pública muito popular aqui nos EUA, que muitos respeitam", afirmou o professor.

Segundo Stanfield, a tentativa da imprensa republicana de tachar o apoio de Powell como um fato racial não tem surtido efeito porque programas de rádio como o de Rush Limbaugh "já não têm mais a influência que tinham nos anos 80 e 90".

"As táticas da campanha de McCain e a mídia de direita de tentar incluir a raça na disputa está tendo um impacto insignificante na campanha e, muitas vezes, até se voltando contra a própria candidatura republicana", concluiu.

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