Republicanos apostam em Palin para ganhar apoio das mulheres

ST. PAUL - Os republicanos, reunidos, nesta quarta-feira, na Convenção Nacional do partido em St. Paul (Minnesota), aproveitam a polêmica gerada em torno da candidata à vice-presidência, Sarah Palin, para se promover como a legenda que defende as mulheres verdadeiramente.

EFE |

Palin, de 44 anos e governadora do Alasca, fará hoje o discurso de aceitação da candidatura na Convenção Nacional Republicana, em um momento no qual se encontra no centro das atenções de todos pelas revelações em torno de sua vida, que incluem a gravidez de sua filha Bristol, de 17 anos.

As revelações puseram na defensiva o Partido Republicano, que se viu obrigado a responder a perguntas sobre o cuidado que se teve no processo de seleção de Palin e a experiência da governadora, que está apenas há dois anos no cargo e, antes, foi prefeita de uma localidade, Wasilla, de menos de sete mil habitantes.

Mas também fez com que os republicanos, em sua defesa, se apresentem como o partido que estima as mulheres.

Para isso, recorreram inclusive a argumentos que há alguns meses teriam sido malditos: uma defesa inflamada da ex-candidata presidencial democrata, Hillary Clinton, e da primeira mulher candidata à Vice-Presidência, a também democrata Geraldine Ferraro.

"O Partido Republicano não agüentará de braços cruzados uma campanha sexista, que já foi sexista contra Hillary Clinton", disse hoje a vice-presidente da campanha de McCain, a ex-diretora geral da Hewlett Packard Carly Fiorina, em entrevista coletiva.

Segundo Fiorina, "após a campanha de Hillary as mulheres têm os ouvidos muito afinados para agüentar ataques sexistas".

Após a entrada de Palin na campanha eleitoral, afirmou, os democratas "deturparam e minimizaram a importância da experiência da governadora. Como mulheres, sabemos bem com quanta freqüência ocorrem estas situações".

Na defesa da governadora está em jogo uma potencial recompensa de imensa importância para os republicanos, o voto feminino.

Tradicionalmente, as mulheres se inclinaram mais em direção ao Partido Democrata, em parte uma herança da candidatura de Ferraro à Vice-Presidência em 1984, como "número dois" de Walter Mondale.

Muitas mulheres se mobilizaram na temporada de primárias este ano a favor da candidatura de Hillary, e ficaram decepcionadas quando ela foi derrotada para seu adversário no partido, Barack Obama.

Essa decepção aumentou quando foi confirmado que Obama tinha escolhido o senador Joe Biden, e não Hillary, como seu "número dois".

Embora durante a Convenção Nacional Democrata Obama e Hillary tenham se mostrado unidos, e segundo as pesquisas tenha aumentado as intenções de voto feminino em favor desse candidato, ainda há um número significativo de mulheres que não votariam no senador por Illinois.

Depois do anúncio da escolha de Palin para vice, as pesquisas indicaram que a governadora tinha tido uma boa acolhida entre o público, apesar de o apoio das mulheres, de 36%, era cinco pontos percentuais menor que o dos homens.

O Partido Democrata negou que seu tratamento à governadora tenha sido sexista, e lembrou que Obama exigiu que não se aborde as vidas familiares dos candidatos.

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