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Republicanos alfinetam democratas: bom trabalho, Hillary!

Os republicanos comemoravam com alarde, nesta quarta-feira, o http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoeseua/2008/08/27/hillary_clinton_pede_uniao_em_torno_de_obama_1601050.htmldiscurso da senadora Hillary Clinton na Convenção Democrata, alegando que, com suas palavras, ela mesma ajudou a desconstruir a candidatura de Barack Obama.

Redação com AFP |

Comentaristas políticos se concentraram no fato de que, em um discurso repleto de drama, lágrimas e, por que não, risos, no qual Hillary pediu, repetidas vezes, aos correligionários que elejam Obama presidente, ela não disse, uma única vez, que ele está preparado para liderar.

"Acho que ela fez um discurso muito bom, de seu ponto de vista e do nosso, mas não necessariamente do ponto de vista de Barack Obama", avaliou o ex-presidente republicano de Nova York Rudolph Giuliani, em comentário para a FOX News.

"Ela nunca respondeu realmente à questão essencial: se ele (Obama) está pronto para ser presidente, que foi a questão que ela lançou, de forma bastante dramática, durante as primárias", acrescentou.

Enquanto os últimos gritos entusiasmados ecoavam no centro de convenções de Denver, a equipe do republicano John McCain prontamente esmiuçava o discurso de ontem à noite da ex-primeira-dama.

"A senadora Hillary fez sua campanha à presidência deixando claro que Barack Obama não está preparado para liderar como comandante-em-chefe", declarou, em nota, o porta-voz de McCain, Tucker Bounds.

"Em nenhum lugar, esta noite, ela alterou essa avaliação. Em nenhum lugar, esta noite, ela disse que Barack Obama está pronto para liderar. Milhões de eleitores de Hillary Clinton e milhões de americanos continuam preocupados sobre se Barack Obama está pronto para ser presidente", alfinetou Bounds.

Futuro em jogo

O discurso da senadora encantou a platéia e, em momento algum, pareceu que ela planeja deixar a política tão cedo. Em vez disso, Hillary falou sobre a história de sua própria campanha e de seu futuro.

"Essa é uma luta pelo futuro, e é uma luta que precisamos vencer", disse ela, em uma declaração que se referia à eleição de novembro, mas que também poderia ser relacionada, facilmente, às suas próprias ambições políticas.

Para o influente analista político Michael Barone, em comentário para a revista "U.S. News", o discurso serviu para alertar a todos que Hillary Clinton poderá protagonizar mais uma disputa histórica para a Casa Branca, em 2012.

O discurso foi "bom, mas não tão bom para Barack Obama, em 2008. Melhor ainda, se as coisas mudarem como parecem, para Hillary Clinton, em 2012", escreveu.

"O que faltou foi muito no sentido de uma descrição de Barack Obama. Que tipo de homem ele é? Alguém que apóia as mesmas posições que ela", completou.

"Será que ela olhou fundo em seu coração e encontrou alguma coisa que valha a pena? Não há sinal aqui de que ela tenha feito isso. Seria ele um bom comandante-em-chefe? Nenhuma palavra sobre isso, como a campanha de McCain rápida e alegremente observou", insistiu Barone.

Sobre a adoração a Hillary, na terça à noite, o comentarista político conservador Rush Limbaugh disse à FOX News que essa foi "a primeira vez, desde 1976, que uma convenção ficava mais entusiasmada com um perdedor do que com um vencedor".

Apesar de pedir a seus milhões de desapontados eleitores para votar em Obama, ela "se desvinculou dele", apontou Limbaugh, apresentador de um dos mais ouvidos talk shows das rádios americanas.

"Esses dois (em referência ao casal Clinton) precisam de que Obama perca e irão fazer tudo que puderem, depois de Denver, para ver o que acontece", acrescentou.

Estratégias republicanas

A equipe de McCain está elaborando uma estratégia que consiste em fixar objetivos desmesurados para Obama, após sua entronização pelos delegados de seu partido e de seu discurso previsto para a noite desta quinta-feira em um estádio gigante de Denver.

Eles preparam, assim, a entrada em cena do próprio candidato durante a convenção republicana, que acontece na próxima semana em Saint Paul-Minneapolis (Minnesota, norte dos EUA).

Figuras do 'grand old party' (GOP) foram a Denver para divulgar sua mensagem durante a convenção, e a equipe de McCain chegou a instalar uma antena ao lado do Pepsi Center, o epicentro da grande reunião democrata.

O partido também elaborou um slogan fazendo referência a Denver, uma cidade construída a 1.600 metros de altitude, para atacar a campanha de Obama: "A uma milha de altitude, mas não muito profunda".

Para Sarah Simmons, estrategista-chefe de John McCain, a batalha acirrada das primárias, a desaceleração economia americana, a cobertura "entusiasta" da imprensa e o discurso final de Obama para 75.000 pessoas devem garantir ao candidato democrata um forte aumento de popularidade.

"O discurso de Obama em um estádio nesta quinta-feira, no dia do 45º aniversário do 'I have a dream' de Martin Luther King, vai render uma enorme e entusiasta cobertura na mídia", escreveu Simmons em uma nota de campanha.

"Acreditamos que Obama pode ganhar até 15% de intenções de voto", exagerou.

Trata-se de uma estratégia de campanha clássica: colocar objetivos muito altos, tão altos que é pouco provável que eles sejam alcançados pelo concorrente. Os republicanos passaram a ser mestres nesta arte desde as campanhas eleitorais vitoriosas de George W. Bush, em 2000 e 2004.

Competição acirrada

As pesquisas atuais dão cerca de quatro pontos percentuais de vantagem a Obama sobre o McCain, ou seja, a margem de erro. A diferença entre ambos diminuiu muito nos últimos meses, talvez por causa da série de clipes eleitorais sarcásticos lançada pela equipe do candidato republicano.

Os estrategistas da campanha de McCain admitem que Obama, ao contrário de seu candidato, é um orador excepcional, capaz de levantar multidões. Já McCain obtém melhores resultados diante de um público mais restrito.

"Será um evento histórico. Barack Obama é o primeiro candidato afro-americano de um grande partido", lembrou Tucker Bounds, porta-voz de McCain, na semana passada.

"Sabemos que quase todos os olhares estarão voltados para a convenção. Vamos tentar lembrar aos eleitores que Obama não tem experiência e que não avaliou bem alguns dos problemas que os afetam diretamente", acrescentou.

McCain tem o cuidado de não atacar diretamente seu rival, que chegou a qualificar segunda-feira de "muito honrado". Porém, outras personalidades republicanas não têm a mesma atitude.

O ex-candidato Mitt Romney e o governador de Minnesota Tim Pawlenty, que estão entre os potenciais candidatos republicanos à vice-presidência, são esperados esta semana em Denver.

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