Questão racial não afeta campanha nos EUA, diz Obama

Por David Wiessler WASHINGTON - Na luta para cativar o eleitorado branco, o pré-candidato democrata à presidência dos EUA Barack Obama disse em entrevista transmitida no domingo que a questão racial não deve influir na campanha presidencial de novembro, que pode transformá-lo no primeiro presidente negro na história norte-americana.

Reuters |

'A raça ainda é um fator na nossa sociedade? Sim. Não acho que alguém negue isso', disse Obama ao canal Fox News, numa entrevista gravada no sábado. 'Será isso determinante na eleição geral? Não, porque estou absolutamente confiante de que o povo norte-americano está procurando alguém que possa resolver seus problemas.'

Obama disputa contra Hillary Clinton a indicação do Partido Democrata, que terá como adversário em novembro o republicano John McCain. Ele lidera em número de votos já obtidos, em delegados acumulados e em Estados vencidos. Mas as vitórias de Hillary em Estados politicamente estratégicos como Pensilvânia e Ohio geram dúvidas sobre a capacidade dele em atrair o voto dos brancos.

Na Pensilvânia, Hillary venceu entre os eleitores sindicalizados e entre os católicos brancos -- dois eleitorados democratas importantes -- por uma margem de 70-30 por cento. Um em cada sete eleitores da Pensilvânia considerava que a raça era uma questão importante, e esse bloco votou majoritariamente contra Obama.

O senador argumentou ter conquistado muitos desses eleitores em outros Estados, e que mesmo em lugares como a Pensilvânia eles tendem a apoiá-lo contra McCain uma vez que a indicação esteja definida.

'Estou confiante de que, quando se chegar a uma eleição geral e houver um debate sobre o futuro deste país -- como vamos reduzir o preço da gasolina, como vamos lidar com a perda de empregos, como vamos focar na independência energética --, são esses eleitores que eu poderei atrair', disse Obama.

'Se eu perder, não será por causa da raça. Será porque cometi erros na campanha, não comuniquei efetivamente meus planos em termos de ajudar (as pessoas) nas suas vidas cotidianas.'

Divisões

Alguns democratas temem que a prolongada disputa interna provoque divisões benéficas a McCain, mas Howard Wolfson, estrategista da campanha de Hillary, concorda com Obama sobre a perspectiva de unidade partidária.

'Tanto a campanha de Obama quanto a campanha de Clinton estão absolutamente comprometidas em se unirem na conclusão deste processo, somando-se a quem for o candidato e apoiando entusiasticamente essa pessoa', disse ele à rede CBS.

Fazendo campanha na Carolina do Norte (que vota junto com Indiana no próximo dia 6), Hillary lamentou que Obama tenha se recusado a participar de um debate entre eles sem mediador.

'Questões duras (de um moderador) num debate não são a mesma coisa que as questões duras que você encontra na Casa Branca', disse a ex-primeira-dama, hoje senadora.

Obama prioriza encontros com eleitores, mas no domingo disse que ficaria 'mais do que feliz em considerar' outro debate depois de Indiana.

As declarações de Obama coincidem com uma série de aparições do ex-pastor dele, Jeremiah Wright, que vem tentando contestar as críticas feitas aos seus sermões inflamados, muitos deles com condenações ao suposto racismo dos EUA -- um tema que foi usado por rivais de Obama.

O próprio Obama voltou a se desvincular dos sermões de Wright, mas disse que o interesse do eleitorado sobre o religioso é legítimo, devido à antiga vinculação do pastor com o candidato.

'Não acho que a questão do reverendo Wright seja ilegítima.

Só acho que a forma como foi relatada não foi um reflexo da igreja que eu frequento e de quem eu sou.'

Em Miami, McCain disse que, embora não tenha comentado a polêmica, fica perturbado com as posições de Wright -- que declarou certa vez, por exemplo, que os EUA são parcialmente culpados pelo 11 de Setembro.

'O próprio senador Obama diz ser esta uma questão política legítima, então eu imagino que muita gente compartilhe dessa visão, e isso estará na arena (da campanha)', afirmou McCain em entrevista coletiva. 'Mas minha posição de que o senador Obama não compartilha desta visão continua a mesma.'

Obama foi ao programa 'Fox News Sunday' depois que o apresentador Chris Wallace inaugurou um relógio que mostrava quanto tempo o senador levou para aceitar a entrevista -- 772 dias até domingo.

'Levei uns 772 dias para me preparar para essas perguntas', brincou Obama no início.

Muitos democratas acham a Fox conservadora e republicana demais, e por isso se recusam a participar de seus programas.

(Reportagem adicional de Tom Brown)

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