Presença de Palin lota comícios de McCain na Virgínia

Sarah Palin foi o principal motivo que levou cerca de 23 mil pessoas a um parque de Fairfax (Vírginia), uma multidão que Jonh McCain não tinha visto em um comício eleitoral e que decidiu apoiar o republicano por causa de sua companheira de chapa e candidata a vice-presidente dos Estados Unidos. Gostamos de McCain, mas de quem gostamos de verdade é de Sarah Palin. Ela deu nova vida à campanha de McCain, disse Susan Dawson, uma mulher de 60 anos que carregava uma placa com o rosto da governadora do Alasca com a legenda Fazendo história.

EFE |

O senador pelo Arizona não era - e ainda não é - muito querido por boa parte da base republicana. Ele passou por um momento de tensão com a direita religiosa e em seu programa político nunca enfatizou os valores tradicionais.

Palin, por outro lado, é contra o aborto até em casos de estupro e incesto, e defende o porte de armas. Nesta quarta-feira, essas 23 mil pessoas, segundo o departamento de bombeiros de Fairfax, se reuniram para escutar Palin em pessoa junto a McCain.

Era uma multidão onde se destacavam as camisas vermelhas, a cor do Partido Republicano, com maior presença de mulheres e onde os únicos rostos negros estavam em uma arquibancada atrás dos oradores, para demonstrar a diversidade para as câmeras de televisão.

Desde a convenção do partido na última semana em St. Paul (Minnesota), onde Palin teve excelente atuação, ambos os políticos fizeram campanha juntos e atraíram uma audiência entusiasmada e maior que a que tinha seguido McCain anteriormente.

Em Fairfax, como nos outros discursos até agora, Palin se ateve a um roteiro que é um apanhado de suas melhores frases durante o discurso com o qual aceitou a nomeação do partido como vice-presidente. "Vamos aprovar a diminuição de impostos para todos os americanos", disse Palin.

McCain votou contra as reduções tributárias impulsionadas pelo presidente dos EUA, George W. Bush, mas agora as apóia. Pouco se sabe sobre as idéias de Palin, desde economia, até saúde e política externa.

A escassez de detalhes em seu discurso e sua pouca experiência - menos de dois anos como governadora e seis como prefeita de uma cidade de quase sete mil habitantes - não diminuiu o entusiasmo da multidão.

"Amamos Sarah Palin", disse Robin Oacks, de 52 anos, que tirou o dia livre junto com sua amiga Joanna Bobby, um ano mais velha que ela, para assistir ao comício. "É a primeira mulher candidata à Vice-Presidência (republicana), parece tão normal", afirmou Bobby.

O pai de Palin era professor de ensino médio e a mãe, secretária. Essas modestas origens também atraem independentes como Rubén Elisondo, de 27 anos. "É muito fácil se identificar com ela. Vem de uma família normal", disse.

Com Palin, McCain eliminou a vantagem de sete pontos que o democrata Barack Obama tinha sobre ele, segundo uma pesquisa da rede de televisão "CNN". Agora, eles estão empatados.

A campanha de McCain reconheceu o valor de Palin e a está explorando de tal forma que em alguns momentos parece que ela é quem lidera a chapa.

O ex-senador Fred Thompson, o orador no ato de hoje em Fairfax, apresentou Palin durante mais de três minutos e foi interrompido várias vezes com gritos de "Sarah, Sarah".

"Estas eleições tratam tanto sobre John McCain quanto de Sarah Palin", afirmou ele para falar do senador, sobre o qual Thompson só disse algumas frases de introdução.

Já McCain se desfez em elogios à sua companheira de chapa e reiterou que, com eles, "a mundança chega" a Washington, uma frase que disse em St. Paul e com a qual quis enfraquecer a mensagem de Obama.

Amanhã, McCain e Palin vão se separar. Ele vai comprovar em seus comícios sozinho se parte do estrelato de Palin foi transferido para ele.

Já a governadora dará sua primeira entrevista, à rede "ABC", e nela provavelmente terá de passar das frases bonitas e vagas para os detalhes.

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