Polêmica familiar não interfere nas eleições americanas, diz estrategista republicano

SÃO PAULO - No terceiro dia da Convenção Republicana, que foi afetada pela passagem do furacão Gustav e teve na terça-feira o discurso via satélite do presidente George W. Bush, quem sobe ao palco nesta quarta-feira é a candidata republicana à vice-presidência dos EUA e governadora do Alasca, Sarah Palin.

Nathália Goulart, do Último Segundo |

Palin tem causado polêmica desde o início do evento realizada em St. Paul, Minnesota, quando foi comunicado que sua filha de 17 anos está grávida sem ainda ter se casada com o pai do bebê.

Para economista e cientista político republicano Grover G. Norquist, presidente da Entidade Americanos pela Reforma Tributária, essas são críticas infundadas. Segundo Norquist, os democratas querem atacar McCain mas não sabem como. "Quem diz que não vai votar nela porque a filha dela está grávida e não é casada?" perguntou Norquist em uma videoconferência realizada pelo Consulado Geral dos EUA no Brasil.

"Os democratas querem aparentar que não estão assustados, mas estão" e disse que a escolha de Palin para a vice-presidência foi uma "atitude feliz".


Grover Norquist diz que críticas a Sarah Palin não têm fundamento / Getty Images

O mesmo acontence com as críticas que se referem a Bush e visam atacar McCain. A impopularidade do presidente republicano em exercício é visto por muitos como um fator limitador para a campanha de McCain. "Eles (os democratas) atacam Bush, mas não é Bush quem está na disputa," provocou Norquist. Norquist seguiu a atitude que o Partido Republicano vem tentando reforçar desde o início da disputa, a de que Bush e McCain são muito diferentes e eleger o segundo não significa dar continuidade ao governo do primeiro.

A aparição breve e via satélite de Bush na Convenção Repúblicana foi uma tentiva de demonstrar esse descolamento entre as duas figuras. "Bush representa o passado, enquanto McCain é o futuro," pontuou Norquist.

Economia

Norquist é presidente da entidade Americanos para a Reforma Tributária (ATR) e teceu críticas sobre um dos pontos da política econômica de Obama, que prometeu aumentar os impostos dos mais ricos. Segundo dados apresentados pelo entrevistado, cerca de dois terços do eleitorado americano investem em ações de grandes empresas. Portanto, se Obama pretende aumentar os impostos dos mais ricos, "a medida afeta diretamente as grandes empresas e por conseqüência grande parte da classe média" que detêm participações nelas.

A entidade que Norquist preside organiza a Garantia de Proteção aos Contribuintes e pede a todos os candidatos a cargos federais que se comprometam com opor-se a qualquer aumento de impostos. O presidente George W. Bush se comprometeu com a causa, assim como 193 deputados, 41 e senadores, 7 governadores e 1.221 deputados estaduais.

O financiamento das campanhas também foi tema do debate. Norquist reconheceu que a campanha democrata tem mais recursos que a republicana, mesmo tendo recusado o financiamento público. Mas, por outro lado, "McCain não precisa gastar tanto tempo quanto Obama para arrecadar dinheiro."

Hillary versus Palin

Sobre as polêmicas levantadas desde o ínicio da escolha de Sarah Palin para companheira de chapa de McCain, Norquist ressaltou a figura da governadora do Alasca e o fato dos republicanos terem escolhido uma mulher para o cargo (caso vença, Palin será a primeira mulher a assumir a vice-presidência).

Acrescentou ainda que o que impediu Hillary Clinton de vencer as primárias democratas foi o sexismo. "Era provável que Hillary venceria," afirmou Norquist, dizendo que o Partido Republicano agiu no sentido oposto ao escolher uma mulher para um cargo de destaque.

Sobre a aparição de Sarah Palin hoje no palco da Convenção Republicana, Norquist adiantou que será um discurso de apresentação de Palin perante os Estados Unidos. A governadora do Alasca é relativamente desconhecida do grande público americano e deve reforçar hoje sua história pessoal e sua luta enquanto administradora pública.

Palin é cristã devota, mãe de cinco filhos, radicalmente contra o aborto. Antes de governar o Alasca, foi deputada federal com um mandato marcado pelo combate à corrupção e cumpriu dois mandatos como prefeita de Wasilla. Uma das conquistas de sua gestão como prefeita foi o corte de impostos cobrados sobre imóveis.

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