Palin participa no debate dos vices sob o olhar preocupado dos republicanos

A candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, participa nesta quinta-feira de um debate crucial com seu oponente democrata e é grande motivo de preocupação até mesmo para seu próprio partido por causa de entrevistas anteriores em que não se saiu muito bem.

AFP |

A governadora do Alasca se encontra desde segunda-feira no rancho do candidato John McCain, em Sedona (Arizona), transformado num centro de treinamento para o difícil debate de que participará com o veterano senador Joe Biden.

O debate, que será televisionado, gera muita expectativas: depois de uma apresentação sensacional no mês passado, quando McCain surpreendeu ao anunciá-la como companheira de chapa, uma jovem mulher ultraconservadora, mãe de cinco filhos, adversária do aborto e apaixaonada por armas de fogo, seus desacertos, a falta de tino político e o desconforto com a imprensa a fizeram cair nas pesquisas.

Apesar de que seus comícios continuarem atraindo multidões, Palin não conseguiu despertar a atenção do eleitorado democrata feminino decepcionado com a escolha de Barack Obama como candidato e a derrota de Hillary Clinton.

Com 58% de "impressões favoráveis" no início de setembro, segundo pesquisa realizada pelo Washington Post, Palin caiu para 52% no fim do mês e perdeu o interesse das mulheres indecisas (uma queda de 65 a 43%).

Segundo outra pesquisa, realizada na semana passada pela CNN, 49% dos eleitores acham que Palin carece das qualidades necessárias para virar presidente, uma questão-chave em função da idade de McCain.

"Não se pode colocar alguém assim a dois passos da Casa Branca", afirmou o analista da CNN, Jack Cafferty.

Para 60% dos eleitores americanos, Palin não tem a experiência necessária para substituir, quando preciso, John McCain, 72 anos, se ele for eleito para a Casa Branca, segundo pesquisa Washington Post-ABC News publicada nesta quinta-feira.

Apesar de ter dinamizado a campanha ao trazer para ela um certo frescor e ter dado um tom populista e mais jovial ao idoso candidato republicano, algumas entrevistas foram suficientes para fazer tremer sua candidatura.

"As recentes entrevistas de Sarah Palin ao Charles Gibson (ABC) e a Katie Couric (CBS) mostraram claramente que ela não joga na primeira divisão",a firmou a jornalista republicana Kathleen Parker, que chegou a escrever na revista "National Review" que a governadora coloca o partido numa situação tão delicada que pode deveria retirar sua candidatura.

As entrevistas, nas quais Palin não consegue responder às perguntas - principalmente sobre a "doutrina Bush de ingerência e unilateralismo na política externa" - o se lança numa longa e confusa descrição dos efeitos do plano de resgate financeiro, causam estragos irreversíveis, ainda mais quando caem na internet.

As respostas da candidata são aproveitadas pelos comediantes dos shows televisivos, como una análise de política externa sem cabimento que fez a respeito da proximidade da Rússia com sua casa no Alasca.

A comediante Tina Fey, por causa de sua incrível semelhança com a candidata, deitou e rolou com essas declarações numa participação no programa "Saturday Night Live".

Na segunda-feira, colocada em dificuldade pela jornalista da CBS, Katie Couric, a candidata foi salva in extremis por uma intervenção de John McCain que estava a seu lado e criticou o "jornalismo de armar armadilhas".

Na semana passada, Sarah Palin evitou cuidadosamente a imprensa durante sua visita a Nova York, onde se reuniu com vários chefes de Estado na Assembléia Geral da ONU.

"A novidade está passando, e as pessoas estão insistindo sobre o que ela sabe e o que ela não sabe, principalmente num contexto de crise e preocupação com o futuro", explicou à AFP Jack Citrin, professor de ciências políticas da Universidad de Berkeley.

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