Países aproveitam vitória de Obama para fazer críticas aos EUA

Líderes de países hoje antipáticos aos Estados Unidos aproveitaram a vitória de Obama para criticar o país e principalmente o governo Bush, ao mesmo tempo em que pressionavam o novo presidente por mudanças nas relações.

Redação com agências internacionais |

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, pediu nesta quarta-feira a seu futuro colega americano Barack Obama um "diálogo construtivo", acusando os Estados Unidos de todos os males e brandindo a ameaça de uma retaliação ofensiva ao projeto de escudo antiamericano na Europa.

"Esperamos que nossos parceiros, a nova administração dos Estados Unidos, optem por manter boas relações" com a Rússia, declarou Medvedev. Ele denunciou a "política prepotente da administração americana" que teria provocado a "tragédia de Tskhinvali".

Medvedev se referia ao conflito armado de agosto passado entre Rússia e Geórgia. O estopim deste conflito foi o território separatista georgiano da Ossétia do Sul, que tem como capital Tskhinvali. "Não recuaremos no Cáucaso", sentenciou, afirmando que a guerra na Geórgia, um país pró-americano, "desestabilizou a ordem mundial".

Nos países em que os EUA estão em guerra, a reação foi otimista, mas cautelosa. O ministro de Relações Exteriores iraquiano, Hoshyar Zebari, elogiou a vitória, mas disse que seu país não espera "grandes mudanças" em relação à política americana no Iraque.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, pediu a Obama mudanças na "guerra contra o terror" que o Exército americano faz no país.

No Irã, o regime dos aiatolás entendeu a vitória do candidato democrata como uma prova do fracasso das políticas do atual presidente americano, George W. Bush, e reiterou que o que os EUA precisam é de uma mudança de atitude.

Já o dirigente da política oficial do Hamas, Khaled Meshaal, disse que seu grupo está preparado para negociar "de forma aberta" com qualquer governo dos EUA que respeite os direitos dos palestinos.

Para Meshaal, os "EUA precisam de uma mudança mais que o resto do mundo pelas políticas errôneas do presidente George W. Bush durante os últimos oito anos".

Já a Síria ainda não reagiu oficialmente à vitória do candidato democrata Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, embora a imprensa local tenha expressado hoje esperanças com o início de uma nova era. O periódico estatal "Al Zaura" assinalou que a Síria espera uma mudança real na política externa americana com a nova Administração para ajudar a estabelecer a paz e a segurança no Oriente Médio.

Por sua parte, o editor-chefe do diário oficial "Tishreen", Issam Dari, escreveu que "todos os árabes dirão que qualquer novo presidente dos EUA será melhor que George W. Bush, qualquer nova Administração será melhor que a atual".

Cuba

Junto com as felicitações, alguns dos principais dirigentes da América Latina pediram que Obama acabe com o embargo a Cuba.

"Espero também que acabe o bloqueio a Cuba, que não tem nenhuma explicação humana", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após pedir que Obama tenha uma "relação mais forte com a América Latina, com o Brasil e com a África" para que os países mais pobres possam se desenvolver.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, exigiu o fim do embargo a Cuba e expressou seu desejo de os EUA "retirarem suas tropas de alguns países".

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, parabenizou Obama e disse que "chegou a hora de estabelecer novas relações entre nossos países e com nossa região, com base nos princípios do respeito à soberania, à igualdade e à cooperação verdadeira", segundo uma nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores venezuelano.

A campanha democrata

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    Entenda

    Opinião

  • José Paulo Kupfer: Obama, um sumário executivo da nova economia
  • Nahum Sirotsky: Completa-se a revolução democrática
  • Caio Blinder: Parabéns, presidente Obama
  • Gerald Thomas: Obama é o novo presidente dos EUA
  • Jornal de debates: o que mudou com vitória de Obama?
  • Vitória de Obama sinaliza mudança em relações raciais

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