Obama terá enormes desafios na política externa

CHICAGO - O recém-eleito presidente dos EUA, Barack Obama, enfrentará um assombroso conjunto de desafios na sua política externa, das guerras no Afeganistão e Iraque à crise financeira e à necessidade de melhorar a imagem do país no exterior.

Reuters |

Embora impostos, saúde e economia tenham tido um enorme papel na campanha eleitoral, as questões de segurança nacional - como o impasse nuclear com o Irã e a paz do Oriente Médio - devem continuar em destaque quando Obama tomar posse como sucessor de George W. Bush, em 20 de janeiro.

"O mantra para o próximo governo tem de ser: 'Seja cuidadoso com o que você deseja, porque pode conseguir'", disse James Lindsay, que foi consultor de política externa do ex-presidente Bill Clinton, e atualmente leciona na Universidade do Texas, em Austin.

"O novo presidente eleito terá uma caixa de correio cheia de questões de política externa, e as decisões a tomar são de enormes consequências para a segurança norte-americana", acrescentou Lindsay.

Assessores dizem que Obama, um democrata que será o primeiro negro a governar os EUA, tem uma compreensão dos assuntos mundiais, arraigada numa infância passada parcialmente na Indonésia e por uma busca para aprender sobre as origens quenianas do seu pai.

O senador por Illinois, de 47 anos, terá compromissos importantes mesmo antes da posse. Já no dia 15, deve enviar representantes à cúpula internacional convocada pelo republicano Bush para discutir a crise financeira global.

O governo Obama também herdará as guerras do Iraque e Afeganistão, e coincidirá com uma intensificação das buscas por militantes da Al Qaeda no lado paquistanês da fronteira com o Afeganistão.

Impedir o Irã de obter armas nucleares - intenção que Teerã nega ter - e garantir que a Coréia do Norte cumpra suas promessas de desarmamento são outras questões prementes.

NOMES FAMILIARES

Obama tem vários consultores de política externa oriundos do governo Clinton, embora diga que também seria capaz de trabalhar com republicanos. Os senadores Chuck Hagel (republicano) e John Kerry (democrata) são nomes frequentemente citados como eventuais secretários de Estado.

Obama, assim como seu rival John McCain, prometeu durante a campanha revigorar o esforço de paz no Oriente Médio, mas mantendo uma sólida aliança com Israel.

Seu consultor de política externa Mark Lippert disse que o combate ao terrorismo e a captura de militantes na fronteira Afeganistão/Paquistão, especialmente Osama bin Laden, são prioridades nacionais.

Obama promete acabar a guerra do Iraque e fortalecer a presença militar dos EUA no Afeganistão.

Para Lippert, a capacidade de combater os militantes no Afeganistão está "ligada à capacidade de obter progressos na reconciliação política no Iraque e a capacidade de sair de lá."

Obama foi criticado durante a campanha por sua disposição em manter contatos diretos com governos inimigos. Na opinião do novo presidente, a resistência do governo Bush em conversar com adversários limitou suas opções diplomáticas.

O democrata foi contra as propostas para expulsar a Rússia do G8 (grupo de países industrializados) devido à invasão da Geórgia, em agosto. Mas ele condenou a ação militar de Moscou.

Uma possível prioridade diplomática de Obama será reparar os vínculos com aliados tradicionais, especialmente na Europa, que foram abalados durante o governo Bush.

Alguns analistas acreditam que a enorme popularidade de Obama no exterior lhe dará uma vantagem inicial, mas não será uma panacéia para desafios como o de convencer a Europa a enviar mais tropas ao Afeganistão.

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