A mudança de enfoque para a economia parece ter beneficiado o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, que recuperou nas pesquisas a leve vantagem que tinha sobre seu oponente, o republicano John McCain, antes da convenção da legenda conservadora.


Em sua medição diária, o instituto Gallup concede a Obama, senador por Illinois, 48% das intenções de voto, o que o deixa com uma vantagem de quatro pontos sobre McCain (44%), senador pelo Arizona.

Nessa pesquisa, depois do encerramento da convenção republicana, há cerca de duas semanas, McCain chegou a ficar cinco pontos à frente do seu adversário democrata.

Para o bom desempenho do senador pelo Arizona nas projeções, contribuiu muito, em um primeiro momento, o fascínio despertado pela governadora do Alasca, Sarah Palin, escolhida para ser a vice do partido na corrida eleitoral.

Segundo o Gallup, pesquisas paralelas indicam que a crise financeira em Wall Street fez diminuir a confiança dos consumidores americanos na economia.

Embora não seja possível determinar até que ponto a recuperação de Obama está relacionada ao mau andamento do setor, o Gallup acha que a reação dos eleitores às notícias financeiras é "uma explicação plausível" para a escalada do democrata.

Obama também aparece com quatro pontos de vantagem sobre McCain no índice diário da Universidade de Quinnipiac, que dá 49% das intenções de voto ao senador por Illinois.

De acordo com a sondagem dessa instituição, o candidato democrata é o preferido das mulheres, com 14 pontos a mais que McCain, que, por sua vez, aparece sete pontos à frente de Obama entre os homens.

Os números são significativos por que, há duas semanas, quando Palin foi apresentada como vice na chapa republicana, as mulheres estavam mais propensas a votar em McCain do que em Obama.

Em uma terceira pesquisa, encomendada pela rede de TV CBS e pelo jornal "The New York Times", a distância que separa os dois candidatos é de cinco pontos, com vantagem para Obama (49%).

Segundo essa projeção, 78% dos americanos acham que a situação da economia é ruim, e em seis em cada dez dos entrevistados acham que o panorama deve piorar, "condições que podem favorecer o candidato democrata".

Tradicionalmente, os eleitores consideram os republicanos mais fortes no quesito segurança nacional, e os democratas, mais sólidos na gestão da economia.

Devido à queda nas pesquisas, McCain tratou de ir ao ataque nesta quinta-feira, acusando seu oponente de tirar proveito político da crise em Wall Street. Segundo o assessor da campanha republicana, Steve Schmidt, Obama "está animando esta crise".

McCain, que participava de vários comícios em Iowa, propôs nesta quinta-feira o afastamento do presidente da SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA), Christopher Cox, por este não ter supervisionado, como deveria, as ações do sistema financeiro.

"O presidente da SEC é nomeado pelo presidente, e, na minha opinião, ele traiu a confiança do público. Se eu fosse o presidente atualmente, o afastaria", declarou McCain.

A campanha do candidato republicano apresentou um novo anúncio, no qual acusa Obama de desperdiçar o dinheiro dos contribuintes e de querer aumentar os impostos.

Mas, na segunda-feira, McCain, que se apresenta como um inconformista dentro de seu próprio partido, recebeu várias críticas por ter dito que os fundamentos da economia americana "são sólidos".

Por conta dessa declaração, o candidato democrata à Vice-Presidência, Joe Biden, disse, em Ohio, que o senador pelo Arizona está "muito distante" dos problemas que afligem o americano médio.

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