Obama recomenda vigilância durante transição nos EUA

Por Deborah Charles RICHMOND, Estados Unidos (Reuters) - O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, disse na quarta-feira que os EUA precisam ficar vigilantes durante o período de transição para o próximo governo, a ser eleito no dia 4.

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A menos de duas semanas da votação, o republicano John McCain manteve o foco na economia, questão que mais preocupa o eleitorado, e criticou as prioridades econômicas "distorcidas" de seu rival.

Ambos os candidatos elogiaram o governo de George W. Bush por convocar uma cúpula financeira internacional, a partir de 15 de novembro.

Embora a economia continue dominando a campanha, Obama, de 47 anos, fez questão de responder aos comentários de McCain a propósito de uma declaração do candidato democrata a vice, Joe Biden, segundo quem um governo Obama teria de enfrentar algum grande teste internacional em seus seis primeiros meses.

Em entrevista coletiva, Obama admitiu que "Joe às vezes adota floreios retóricos" e disse que qualquer que seja o vencedor irá enfrentar ameaças e desafios, em parte devido ao "conjunto ruins de políticas" do atual governo, que teria resultado em duas guerras inconclusas e em uma "economia em queda livre".

"Um período de transição para um novo governo é sempre um em que temos de estar vigilantes", disse Obama. "Temos de estar cuidadosos, temos de estar cientes de que, conforme passamos o bastão nesta democracia, os outros não tirem vantagem disso. Isso é verdade seja comigo ou com o senador McCain."

A campanha de McCain rejeitou tal explicação. "Joe Biden garantiu uma crise internacional gerada se Barack Obama for eleito, e uma entrevista coletiva do gênero 'sorria para as câmeras' não vai mitigar o risco de uma presidência Obama", disse Tucker Bonds, porta-voz do republicano.

O comentário sobre a política externa fugiu à ênfase que Obama vem dando à economia, uma questão em que ele é bem avaliado e que lhe ajudou a assumir a ponta nas pesquisas. No levantamento Reuters/C-SPAN/Zogby de quarta-feira, sua vantagem em nível nacional subiu para 10 pontos percentuais.

Durante ato de campanha em New Hampshire, McCain criticou as propostas fiscais de Obama, que seriam simplesmente "uma forma de redistribuir riquezas".

"Antes que o governo possa redistribuir riqueza, ele tem de confiscar a riqueza dos que já a ganharam", disse ele. "Qualquer que seja a palavra certa para essa forma de pensamento, a redistribuição de riqueza é a última coisa de que a América precisa agora."

"O que está realmente distorcido em tudo isso são as prioridades do meu adversário. Ele fala sobre a nossa economia de forma deslocada e acadêmica, esquecendo que a meta não é redistribuir riqueza, e sim criá-la", afirmou McCain, sob aplausos.

O local dos eventos de cada candidato diz muito sobre a situação da campanha nesta reta final.

Obama foi à Virgínia, onde os democratas podem vencer pela primeira vez desde 1964. Já McCain esteve em New Hampshire, um Estado pequeno, mas que se torna cada vez mais importante diante das perspectivas de vitória cada vez mais reduzidas para ele.

O democrata disse que McCain está tentando arrumar uma discussão. "Eles têm tentado jogar o que puderem na parede, para ver se cola, e esta é a nova versão deles", afirmou Obama na entrevista coletiva, referindo-se às críticas alusivas a Biden.

Já McCain alfinetou o excesso de confiança de Obama, que mais tarde alertou seus seguidores contra a celebração prematura. "Eu preciso que vocês façam a vitória acontecer", disse ele a mais de 12 mil seguidores. "Eu lhes peço que batam em algumas portas, façam alguns telefonemas, conversem com seus vizinhos e me dêem seu voto."

(Reportagem adicional de Jeff Mason)

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